Debate sobre a quebra de patentes de vacinas

Enviada em 27/05/2021

Segundo Pedro Villardi, coordenador de Projetos do Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual (GTPI), manter monopólio de produção das vacinas em um período de pandemia, no qual a necessidades por vacinas é imensa, gera distorções ao direito à saúde e traz à tona um cenário de desigualdade em todo o mundo. Logo, a discussão sobre a quebra de patentes de vacina, vista como uma forma de acelerar a vacinação entra em questão.

Em uma reunião, a Índia e África do Sul levaram à OMC (Organização Mundial de Comércio) uma proposta de suspensão das patentes de produto do combate ao coronavírus. No mês seguinte, 99 países apoiaram o projeto, mas países desenvolvidos se posicionaram contra, pois com essa ação, seus lucros diminuiriam. A ideia de tudo isso seria facilitar a produção de vacinas por países pobres e garantir que bilhões de pessoas tenham acesso ao imunizante no mesmo ritmo das fontes mais ricas, o que é bastante pertinente.

Atualmente, estima-se que 90% das doses disponíveis no mundo foram aplicadas em países ricos ou de renda média. A quebra de patentes a toda hora desestimula a inovação dos cientistas e de investimentos no setor tecnológico, porém, durante uma pandemia global isso se torna uma questão de moral. O recurso da quebra de patentes se trata de um caminho para dimimuir a desigualdade na corrida pela imunização em meio a uma pandemia.

Já no Congresso Nacional, está prevista a votação de projetos de lei que preveem a quebra de patentes das vacinas para Covid-19, ou seja, que suspendem o direito das empresas que desenvolveram os imunizantes comercializá-los com exclusividade por um tempo determinado. Isso significaria a permissão para a produção e comercialização dos imunizantes no Brasil sem o pagamento de royalties.

Logo, ao analisar os fatos mencionados acima, a quebra de patentes de vacina é necessária para assegurar os direitos humanos, e ir contra a desigualdade social. Levando a imunização para países em menores condições econômicas e tecnológicas, e garantindo o acesso à saúde.