Debate sobre a quebra de patentes de vacinas

Enviada em 26/05/2021

Conforme a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o Estado está presente na sociedade, mas não cumpre seu papel com eficácia. Dito isso, infere-se uma semelhança da realidade contemporânea mundial com o que foi descrito por Bauman ao verificar-se a conjuntura atual da pandemia causada pelo coronavírus, que já matou milhões de pessoas e continua devastando vidas cotidianamente, e é alvo de diversas conferências sobre a corrida por um imunizante. Uma dessas discussões - o debate sobre a quebra de patentes de vacinas - escancaram a negligência governamental de alguns países, além de destacar a colossal disparidade social existente no cenário mundial de imunização contra o vírus. Portanto, pode-se classificar esse cenário como nocivo e necessitante de uma coibição adequada.

A priori, para confirmar a existência da negligência governamental na vacinação em diversas nações, é válido citar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos prevê em seu art.25° o direito à saúde independentemente de quaisquer diferenciações. Posto isto, segundo a embaixadora americana para a Organização Mundial do Comércio, Katherine Tai, “Essa é uma crise de saúde global e as circunstâncias extraordinárias da pandemia de Covid-19 exigem medidas extraordinárias (…)”, confirmando assim o status de “zumbis” dos Estados de países negacionistas, além de ressaltar a necessidade de colaboração de todos os países do globo terrestre.

A posteriori, é oportuno ressaltar a colossal desigualdade social existente no mundo na vacinação como um gravíssimo agravante da problemática supramencionada. De acordo com uma pesquisa da ONU (Organização das Nações Unidas), datada do início do ano de 2021, 75% das vacinas estavam concentradas em países desenvolvidos. Dada a grande probabilidade de mutação do vírus pandêmico, vacinar a população de um lugar, mas não a de outro deixará um risco eminente de novas ondas contagiosas e do surgimento de variantes que escapem à proteção das vacinas já disponíveis, configurando um completo desastre mundial, pois as vacinas teriam que ser refeitas ou reformuladas, o que levaria mais tempo e dinheiro, fatores inestimáveis em uma crise de saúde global dessa magnitude.

Em síntese, urge a criação de medidas para a resolução da problemática abordada. O departamento de marketing e publicidade da Rede Globo e das demais potências televisivas deve criar propagandas dinâmicas e informativas, que consistam na democratização do acesso ao conhecimento sobre a quebra de patentes das vacinas, para que seja de saber popular as medidas governamentais relativas ao assunto, e para reverberar-se no sentido de criar um pensamento crítico na população com relação à injustiça presente nas situações citadas, de modo que a sociedade seja mais justa e igualitária.