Debate sobre a quebra de patentes de vacinas

Enviada em 25/06/2021

A distribuição das vacinas contra o novo coronavírus no mundo vem inserido um ritmo lento e desigual, principalmente nos países de renda baixa e média. Com isso, surgiu-se o debate sobre a quebra de patentes de vacinas, que possibilitaria aos laboratórios de todo mundo produzir vacinas como Astrazeneca, Pfizer e Coronavac. No entanto, embora a ideia aparenta resolver tais problemas, na prática ocorreria o oposto, visto que, a falta de insumos e a dificuldade em produzir vacinas em tão larga escala em pouco tempo agravaria ainda mais a situação atual.

Em suma, o processo de fabricação de uma vacina exige equipamentos especializados e nomeação, bem como, um controle rigoroso e de qualidade. Dessa forma, torna-se um impeditivo para países que não possuem estrutura e capacidade técnica-produtiva, como por exemplo o Brasil, que atualmente importa 90% dos insumos farmacêuticos que utiliza; 80% dos equipamentos e sensores, e 60% dos equipamentos de proteção individual, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Ademais, de acordo com Jorge Kallil, coordenador dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) que explica o processo de adaptação ou construção de parques industriais de vacinas demora ao menos três anos, contando com área física, inclusão de equipamentos, linha de produção , validação de sistemas de controle, garantia e qualidade. “No patamar que o país se encontra hoje, o Brasil não consegue, em menos de um ano, produzir nenhuma vacina”, afirma Kallil, o que torna ainda mais prejudicial tal ideia, visto que, é necessário que obtenham-se soluções imediadas para o momento mais crítico da pandemia.

Conclui-se, que a quebra de patentes de vacina não solucionará os problemas de má distribuição, para isso, é preciso que os fabricantes da vacina busquem administrar melhor e reparar a escassez, haja vista que, se não estivermos todos vacinados, a probabilidade de surgir uma variante é maior e por consequência estaremos todos em risco. O Estado deve investir na ciência e tecnologia, fazendo com que se crie mais oportunidades para jovens cientistas promissores, podendo assim, em um futuro, produzir e descobrir vacinas e soluções nacionais.