Debate sobre a quebra de patentes de vacinas

Enviada em 03/08/2021

No livro “Brás Cubas”, o defunto autor termina sua vida com o pensamento de que a vida é algo sem valor. Não diferente desse é o pensamento da sociedade atual, mas apenas quando se trata da vida alheia. Isso se explicíta ao colocar em pauta a existência de debates sobre a quebra de patente de vacinas de covid-19 em meio a uma pândemia que matou milhões de pessoas pelo mundo.

Entretanto, alguns ainda assim são contra a quebra das patentes, alegando que isso contraria os ideias de livre mercado propostas, inicialmente, por John Locke, por meio do Iluminismo. Porém essa ideia deixa de ser aplicavél quando existem vidas em risco, e, assim como defendido pelo pensador Maquiavel, os fins passam a justificar os meios, legitimando a diminuição do lucro de poucos em prol do progresso e da segurança de muitos.

Deste modo, considerar priorizar os lucros individuais é uma atitude extremamente egoísta, e, de acordo com a pensadora Hannah Arendt, esse egoísmo é resultante da banalização do mal intriceca a sociedade, que permite que pensamentos tão absurdos e anti-vida sejam considerados até mesmo pela liderança administrativa de um governo, como no caso do Brasil, que apesar de possuir mais de 200 mil vítimas fatais do novo corona vírus enfrenta dificuldades para a aplicação da lei e alcançar a quebra das patentes que permitiria a salvação de incontaveis vidas por meio da vacinação em massa.

Conclui-se que o debate sobre a quebra de patentes de vacinas de covid-19 para possibilitar a vacinação em massa é algo mesquinho e incoerente. Dessa forma, a sociedade como um todo deveria procurar se “desintoxicar” da banalidade do mal, por meio da leitura e reflexão sob o tema, para remover um dos maiores obstaculos para a vacinação da população mundial e para concientizar o povo como um todo, a fim de evitar conflitos e espalhar o autruísmo.