Debate sobre a quebra de patentes de vacinas
Enviada em 16/08/2021
O capital privado contra a saúde mundial
As doenças possuem a capacidade de dizimar parte de uma população se não for controlada. Como aconteceu com as comunidades americanas quando tiveram o primeiro contato com os europeus, as pestes trazidas do outro continente ceifaram milhares de vidas. Nessa ocasião, quem detinha o conhecimento sobre essas mazelas eram os próprios estrangeiros, que por não compartilharem as informações que detinham, permitiram que o genocídio acontecesse. Hoje, priorizar o capital ao invés de agilizar a vacinação no mundo é escolher o lado da morte.
Em princípio, a quebra de patentes de vacinas contra o coronavírus iria acelerar sua produção e facilitar o transporte, uma vez que seriam realizados em laboratórios locais. Com o domínio intelectual e produtivo dos insumos, o governo adquiriria mais mobilidade de ação e menos dependência estrangeira. Assim como aconteceu após a produção da principal materia-prima do HIV passou a ser fabricada no Brasil e distribuida pelo SUS, se tornando um modelo de sucesso para o mundo. A licensa das patentes possibilitaria essa expericencia à outras nações.
No entanto, se trata de uma visão utópica, dado que um notável número de países não possui estrutura e tecnologia necessárias para a produção nacional das vacinas. Mesmo o Brasil, que possui infraestrutura adequada, só está disponível em dois laboratórios - o Butantã e a Fiocruz. Os mesmos são responsáveis por destribuir para uma população de mais de 200 milhões em cerca de oito milhões de Km2. A desigualdade se mostrou ainda mais latente desde o início da pandemia, e que talvez seja o motivo da persistência do vírus nos próximos anos, além das milhares de mortes.
Dito isso, é possível concluir que somente a quebra das patentes não conteria a pandemia, sendo necessárias outras formas de lidar com a covid-19, de acordo com a realidade de cada país. Com instituições mundiais tais como a OMS e ONU encarregadas de atuar nos locais, além das licensas de produção dos insumos, as nações mais ricas poderiam doar vacinas para quem não consegue produzi-las. Somente através da ação conjunta seria alcançada o fim da pandemia de coronavírus. Portanto, tendo tudo isso em vista, o debate estar centralizado na motivação privada só demonstra a natureza egoísta da sociedade capitalista.