Debate sobre a quebra de patentes de vacinas

Enviada em 12/08/2021

Depois de quase um ano de ansiosa espera no território brasileiro surgiram as primeiras perspectivas de vacinação da população e, em conjunto, uma esperança de rápida imunização e retomada da vida “normal”. No entanto, muitos obstáculos pemeiam esse objetivo, a citar e destacar a quebra de patentes de vacinas, que tem levantado discussões e dividido opiniões globalmente. De um lado, a tentativa de salvar vidas mais rápido e de outro, o receio de quais consequências podem surgir.

Em primeiro plano, é importante ter conhecimento acerca do que significa patente: nada mais é que o direito de exclusividade que alguém têm por aquilo que fabricou, nesse caso, a vacina. E para “quebrar” essa exclusividade há dois caminhos: a licença voluntária, em que o detentor da posse oferece, por vontade própria, todos os recursos para que outrem fabrique o seu produto; e a licença compulsória, em que há a obrigação de compartilhar sua inovação, independente da vontade do produtor. Pois bem, tendo isso em mente, diversos países requeriram a licença compulsória com o objetivo de possibilitar, a todos, um acesso justo aos imunizantes em um prazo mais curto. Somado a isso, no Brasil, há duas PLs a serem votadas que buscam o mesmo objetivo: a quebra de patentes não só das vacinas, mas de um remédio para o tratamento da COVID-19.

No entanto, essa medida nem sempre atende exatamente a demanda. Por exemplo, no ano de 2006, em que o governo Lula conseguiu um medicamento para o tratamento da Aids - que reduziu em mais de 50% o preço do remédio- passaram-se três anos até que conseguissem, de fato, oferecê-lo a população, sendo que, o proprietário não é obrigado a fornecer equipamento ou tecnologia, o que, por sua vez garante apenas a possibilidade de produção, não a estrutura e velocidade. E no cenário pandêmico em que estamos, esse tempo de espera surtiria o efeito contrário do que se deseja, tornando, assim, a medida inadequada.

Portanto, apesar de haverem pontos negativos na quebra de patente das vacinas, como já foi citado, toda possibilidade de salvar vidas é relevante e medidas extremas, muitas vezes, se fazem necessárias em situações extremas, como a que o mundo está enfrentando neste momento. Dessa forma, a adoção da licença compulsória é válida enquanto uma medida paleativa, já que, para resolver de fato o problema do monopólio dos imunizantes e medicamentos, outras atitudes como maior investimento na área da pesquisa e o aumento da capacitação e material são necessários.