Debate sobre a quebra de patentes de vacinas

Enviada em 14/10/2022

O poema “A Pátria”, do escritor Olavo Bilac, no século XIX, retrata o esplendor de um país que é naturalmente prospero e acolhedor, características que, para o autor, definiam o Brasil, apesar do período vigente expor uma realidade contrária e caótica. Fora do campo literário, nota-se, no hodierno cenário brasileiro, a manutenção de um país marcado pela instabilidade no âmbito da saúde, na qual observa-se a queda na cobertura vacinal. Diante desse contexto, é imprescindível analisar o fator social motivador da quebra de patentes de vacinas, bem como a consequência dessa ação.

Nessa perspectiva, é válido pontuar a disseminação de notícias falsas como agente responsável pela dificuldade da vacinação coletiva. Isso ocorre pois, segundo o sociólogo Jean Baudrillard, o excesso de informação põe fim à informação, posto que o indivíduo não consegue administrar todos os estímulos. Dessa forma, é inegável que, devido a crescente propagação de conteúdos não autenticados, percebe-se a potencialização do compartilhamento de notícias irreais acerca da vacinação no Brasil e, consequentemente, ocasiona a problemáticas para concretizar a imunização integral da sociedade.

Ademais, é fundamental ressaltar a precaria imunização contra doenças na sociedade como principal consequência da precaria vacinação. Tal questão acontece porque, de acordo com a filósofo brasileira Marilena Chaui, o neoliberalismo intensifica o pensamento individualista, o qual posiciona as ações dos indivíduos como isoladas, apenas afetando o próprio cidadão. Nesse viés, é inegável que, devido a crescente ideologia neoliberal, o individualismo torna-se acentuado e, como consequência, o aspecto coletivo da vacinação é ignorado, dado que, ao optar por não tomar a vacina, contribui para a disseminação de enfermidades.