Debate sobre a quebra de patentes de vacinas
Enviada em 05/05/2024
Conforme a Constituição Federal de 1988, a saúde deve ser garantida mediante
políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doenças. De modo
análogo, percebe-se, ao analisar a quebra de patentes de vacinas contra o COVID-
19, que esta ação não será remediadora devido ao baixo investimento público em
ciência, pesquisa e produção no Brasil, assim como as consequências que uma ces-
são compulsória pode causar. Dito isso, cabe avaliar os fatores que favorecem
esse quadro.
De início, em consonância com a Associação Brasileira da Indústria de Insumos
Farmacêuticos, 90% do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) utilizado no Brasil vem
da China ou da Índia. Este fato, somado ao de que os recursos aportados na ciên-
cia em 2023 não foram suficientes para manter o financiamento saudável do se-
tor – dados da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – deixam claro
que, enquanto o país não for capaz de abarcar boa parte de sua produção, a pri-
oridade de debate não deverá ser a quebra de patentes.
Além do exposto, o ex-ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto, afirmou
que há uma legislação vigente que permite flexibilizar propriedades intelectuais
no que tange produção e acesso a imunizantes. Desse modo, levando em conta
que uma cessão compulsória pode acarretar prejuízos devido a falta de profis-
sionais experientes e ao não ganho de know-how do fabricante principal, não que-
brar patentes se porta como uma decisão solícita e eficaz.
Em suma, o Ministério do Planejamento e Orçamento deve tratar como prioridade
o entendimento e a resolução das demandas orçamentárias das entidades cientí-
ficas do país, de modo a acentuar o estudo e desenvolvimento de imunizantes na-
cionais. Isso poderá ser feito através da revisão e redistribuição do Fundo Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Desse modo, a partir de momento que houver magnitude de pesquisa e produção no país, a quebra de patentes
poderá, em algum caso, ser uma solução ideal.