Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials

Enviada em 14/06/2020

Sócrates, na Grécia Antiga, sempre chamou atenção pela sua confiança nos jovens. Séculos depois, nota-se que o filósofo estava correto ao crer em seus potenciais, tendo em vista o destaque da geração Millennial perante a economia brasileira com as startups - empresas desprovidas de tradicionalismo e enriquecidas de tecnologia. Desse modo, compreende-se que tais locais exigem acessos a uma perspectiva crítica e a recursos tecnológicos, aspectos, os quais, ainda são distantes da realidade de muitos cidadãos, sendo clamada, assim, a mudança em relação a esse quadro.

Em primeiro plano, deve-se entender como a falta de criticidade afeta tal relação. Para isso, cita-se o “Pensamento Complexo”, de Edgard Morin, que afirma ser necessário analisar a realidade com base em suas raízes e em suas consequências, havendo a perspectiva de “tudo estar ligado a tudo”. Dentro desse pensamento, nota-se que, ao se estudar a geração Y ligada às startups, deve-se considerar a lógica de a primeira estar condizente com um pensamento de ruptura com o tradicionalismo, ou seja, voltado à valorização dos debates, das liberdades e da democracia, para os quais se faz necessária a criticidade, o que é potencializado por uma educação de qualidade. Entretanto, muitas vezes, devido às desigualdades educacionais brasileiras, muitos Millennials estão desprovidos desse ideal crítico, não havendo, com isso, interesses no estabelecimento de relações com essas empresas.

Além disso, é interessante analisar a tecnologia como elo entre as startups e a geração Y. Diante disso, estuda-se “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, o qual denuncia a “cegueira humana” perante as problemáticas, devido ao seu “estado de inércia”. Dentro dessa lógica, compreende-se que uma considerável parcela da população, por estar provida de tecnologias, as quais passam a ideia de informação difundida em pouco tempo e para todos, limita suas percepções a apenas seu nicho social, estando o Brasil, assim, “cego” em relação às pessoas desprovidas de tais recursos - vítimas das desigualdades do país. Desse modo, nota-se que essa é a realidade de muitos Millennials, o que os impede de conhecer as ideias das startups, o seu funcionamento e a sua importância, estando as relações com essas empresas, dessa forma, ainda restritas a determinados grupos da geração Y.

Portanto, diante dessa análise, faz-se necessário que os educadores - tendo em vista a sua causa ser em prol da educação de todos - estabeleçam projetos de debate os quais contemplem locais do país desprovidos de recursos educacionais, visando, assim, a uma difusão do ideal crítico, construído por cada cidadão, possibilitando mais relações entre Millennials e startups. Ademais, é preciso que jovens da geração Y - filiados a startups - fomentem a difusão de tecnologias pelo país. Assim, a ligação entre essas novas empresas e os Millennials deixará de ser restrita a uma determinada classe social.