Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials
Enviada em 15/06/2020
A Terceira Revolução Industrial proporcionou no final do século XX, a transição da era industrial para era digital, uma conjuntura que fomentou uma nova geração - Millennials-. Ademais, as inovações tecnológicas, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, permitiram a mudança da “modernidade sólida” para “modernidade líquida", como se observa nos postos de trabalho, que outrora eram caracterizados pela rigidez e atualmente pela flexibilidade, como as startups. Assim, ao analisar a relação da geração Millennials com as startups, nota-se que essas estão envoltas pela tecnologia. No entanto, há falta de inclusão digital e uma instituição escolar obsoleta representam problemáticas em face desse contexto.
Em primeiro lugar, percebe-se que a falta de contato com ambiente digital não dialoga com o cenário da geração Milênio e das startups. Sob tal prisma, ao analisar os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os quais afirmam que 67% da população brasileira não tem acesso à internet, compreende-se, diante disso, que uma parcela da sociedade não usufrui dos benefícios oriundos dessa geração e, consequentemente, possui maior dificuldade para se adequar aos novos modelos de trabalho. Desse modo, a segregação da inserção digital no tecido social, reafirma o pensamento do escritor Lima Barreto, o qual dizia que no Brasil há dois mundos, o dos privilegiados e o dos deserdados.
Além disso, segundo o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Nesse sentido, entende-se que a escola deveria ser esse local propício de desenvolvimento do estudante, a fim de prepará-lo para a realidade fomentada pela Terceira Revolução Industrial. Contudo, nota-se uma instituição escolar ainda presa aos moldes do século XIX. Posto que, ao observar o quadro negro em frente da sala de aula, cadeiras enfileiradas e o professor lecionando a aula em pé, percebem-se exemplo de uma sociedade da Primeira Revolução Industrial, que utilizou esse cenário para os alunos familarizarem com o ambiente fabril. Consoante a isso, o quadro obsoleto das escolas não se adequa a geração Y e, também, com a proposta das startups.
Portanto, é imprescindível que o Estado intervenha nessa situação. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, mediante a repasses de verbas públicas, reestruturar as instituições escolares. Isso ocorrerá com salas de computação e robótica, as quais permitirão ao aluno o contanto com a tecnologia, com o propósito de que esse se prepare para o quadro das startups, mas também, desfrute da realidade da geração Millennials. Em vista disso, com uma escola que opera diante das demandas atuais, permitir-se-á a inclusão digital e, por conseguinte, a construção de um país mais igualitário.