Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials
Enviada em 15/06/2020
No filme “Tempos Modernos”, Charles Chaplin tece uma crítica ao modo de produção fordista utilizado nas fábricas, no século XX, caracterizado pela mecanização das funções do trabalhador, o qual comportava-se, basicamente, como um acessório das máquinas. Ao passo que, com o passar dos tempos, percebeu-se a necessidade de valorizar o indivíduo sob a ótica do bem-estar. Nessa lógica, surge as startups, em meio à geração millennials e, por isso, é necessário analisar o debate sobre tal relação. Desse modo, percebe-se a conjuntura atual como uma ferramenta que fomenta esse cenário, além de demonstrar a não consonância dos direitos constitucionais e a realidade.
A princípio, as revoluções industriais alinharam conhecimento científico com inovações tecnológicas, tanto que, a Terceira Revolução, permeada pela internet, foi responsável por apresentar aparelhos tecnológicos que modificaram as relações do homem com o mundo orgânico do trabalho. Prova disso, o pensamento computacional- oriundo do uso ostensivo dos computadores- proposto por Heidegger, exerce, na contemporaneidade, o desenvolvimento de negócios que possuem baixo investimento de implantação e crescimento financeiro escalonável, visto que necessita-se, primariamente, de um ideia e de um computador conectado via rede, por exemplo. Dessa maneira, nota-se que a conjuntura da geração millenialas, os nascidos entre 1980 e 2000, favorece o desenvolvimento das startups.
Outrossim, a Constituição Cidadã estabelece que todos possuem direito à inclusão em um ambiente de igualdade. No entanto, a realidade ecoa uma contrariedade, seja pela falta de pleno acesso dos mais pobres à internet, seja pela permanência do estilo educacional tecnicista, que não dialoga com uma pedagogia libertária, segundo Paulo Freire. Essa conjuntura, por sua vez, não contribui para que todos tenham a possibilidade de desenvolverem startups, caso queiram, haja vista que é fundamental conhecimento computacional e um pesamento criativo, que destoa do ensino mecanicista. À vista disso, percebe-se uma dissonância ante os direitos constitucionais e a narrativa factual.
Logo, é imperativo que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é necessário que o Poder Executivo desenvolva, por meio de verbas governamentais, programas sociais, com o intuito de que a realidade das startups alcance todos da geração millennials. Assim, é imprescindível que esses programas sejam feitos da seguinte forma: criar centros comunitários de acesso aos computadores conectados à internet, mediante ao mapeamento de dados estatísticos que demonstrem às comunidades que não possuem tal serviço; estimular escolas aliadas à pedagogia libertária, com estímulo ao pensamento criativo, pelo desenvolvimento de palestras e rodas de debates entre pedagogos, alunos e professores. Dessa forma, resolver-se-ão os problemas relacionadas ao debate, em questão.