Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials

Enviada em 27/06/2020

Inovador, o pintor francês Marcel Duchamp foi um dos principais nomes do movimento artístico dadaísta e, dentre muitas obras provocativas, produziu “a fonte”, que consistia em um urinol invertido. Felizmente, ver situações sob uma ótica diferente e criativa não serviu só para sustentar movimentos artísticos modernistas,mas também está sendo útil para a geração de Millennials criar empreendimentos ,baseados  na oferta de serviços inovadores, para o mercado.Nesse contexto, é imprescindível o debate acerca da  “cara” da geração Y,sua relação com a mais nova manifestação de empreendedorismo: as  startups e as perceptivas para as novas relações de trabalho.

Em uma primeira análise, cabe ressaltar que, segundo o sociólogo Pierre Lévy, a sociedade contemporânea, com advento da tecnologia, tornou-se hiper conectada e, por meio da interação globalizada,a geração  de Millennials moldou seus costumes. Nesse contexto, os jovens começaram a ter mais acesso à informações acerca de realidades diferentes e,com isso, compartilhar seus interesses na web a fim de dialogar com grupos de gostos semelhantes e, também,reivindicar questões sociais.  Nesse contexto de protagonismo que  o modelo de negócio startup  surgiu baseado na prestação de serviços ,por intermédio de aplicativos e plataformas online, espelhando a atuação de jovens que compreendem as demandas de um mundo conectado,devido ao diálogo presente nas redes.

Ademais, segundo o  filósofo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade pós-moderna  relaciona-se de forma “líquida”, ou seja, as novas relações trabalhistas não fogem dessa lógica, surgindo como uma proposta de negócio bastante imprevisível, tendo em vista que, nos startup, não existe uma carga horária fixa, sustentando a prestação de serviço com base na criatividade e atravessando as fronteira sólidas do mercado tradicional e formal. Exemplo disso é o aplicativo de transporte privado, Uber, em que o motorista se conecta ao aplicativo a qualquer hora,trabalhando de forma autônoma. Entretanto, a ausência de vínculo empregatício pode expôr o trabalhador à condições precárias de trabalho,uma vez que há a falta de garantias legais de proteção ao prestador de serviço, o que torna a fiscalização estatal, extremamente, necessária sobre os novos negócios informais.

Portanto, devido a importância dos startups na sociedade hodierna, o Estado deve fazer um trabalho de estímulo seguido pela vigilância e regulamentação dessa nova proposta de prestação de serviço. De primeira, o MEC deve propor feiras com empreendedores e trabalhadores autônomos nas  escolas públicas e privadas do país, a fim de apresentar os alunos à empreendimentos alternos e às pessoas por trás disso. Por fim, a Secretaria do Trabalho em conjunto com o MP deve identificar um padrão de irregularidades nesses serviços, a fim de criar projetos de lei em defesa dos trabalhadores autônomos.