Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials
Enviada em 04/07/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira assegura o incentivo ao desenvolvimento tecno-científico como meta nacional. Todavia, a burocracia e a rigidez do mercado de trabalho mostram-se incompatíveis com o cenário atual, que passa por substanciais mudanças no sentido da flexibilização. Nesse contexto, a geração “Y”, composta pelos “millennials” (aqueles que nasceram entre 1980 e 1995), tem se mostrado protagonista na dinamização social, que tem grande valia para o avanço global. Diante disso, evidencia-se a necessidade de investimento estatal, aliado ao apoio popular, com vistas a fomentar o movimento liderado pelos visionários da nova era.
Em princípio, sabe-se que a adequação aos parâmetros da era digital é essencial para o desenvolvimento de uma nação. Atualmente, o Brasil passa por um período de transição demográfica, no qual a geração “X”, precursora dos “millennials”, está gradativamente sendo substituída nas linhas produtivas, devido à idade. Por conseguinte, a força jovem que ingressa, traz consigo o conhecimento e as habilidades de uma geração criada em contato com a “Internet”, cujo perfil se adequa bem ao modelo de negócio proposto pelas “startups”, jovens empresas que buscam soluções para problemas cotidianos, com foco na flexibilidade, dinâmica e inovação.
Faz-se imperioso, ainda, salientar que o Estado tem o dever constitucional de garantir o avanço científico no país. Isto posto, vale retomar a analogia proferida pelo artista italiano Leonardo da Vinci, que diz que o sol jamais enxergará a sombra, por serem incompatíveis. Nesse ensejo, pode-se comparar o brilho solar com o esforço governamental envidado no intuito de incentivar, financeira e normativamente, as mudanças exigidas pelo capitalismo contemporâneo, como o exemplo do modelo de negócio das “startups”. Dessa forma, a sombra, atual “status quo” (estado atual), aos poucos cederá espaço para que a luz irradie com maior intensidade.
Destarte, depreende-se que o Estado tem importante papel a cumprir no ajuste do hodierno panorama. Logo, cabe ao parlamento a abertura de comissão permanente que atue cotidianamente no estudo da causa tecnológica. Para os trabalhos, deverão ser conclamados membros do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), economistas, juristas e jovens empreendedores voluntários, a fim de conferir pluralidade à comissão. Ademais, é mister que o MCTIC divulgue ostensivamente, em meios televisivo e virtual, os resultados do projeto e oriente a população a participar das mudanças promovidas, mediante especializações condizentes com as necessidades do mercado. Assim, o Brasil adentrará efetivamente na nova tendência de desenvolvimento mundial, conforme o lema positivista nacional: ordem e progresso.