Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials

Enviada em 23/07/2020

Nos tempos hodiernos, as empresas startups não têm garantido forte presença somente nos principais polos de tecnologia e informação, como o Vale do Silício, na Califórnia, mas também em escala global. Estas são reflexos diretos da flexibilização econômica e produtiva resultante das intensas e constantes inovações científicas, que por sua vez, interferem nas relações sociais e comportamentais humanas. Tal afirmação pode ser expressa na análise das gerações pós-internet, como os Millennials, cujas preferências de consumo e produção tanto se diferenciam de seus precedentes. Logo, é correto inferir a estreita relação entre as recorrentes e aceleradas mutações sociais, proferidas por Zygmunt Bauman, e a essência humana, pois “ a intelectualidade do homem é desenvolvida de acordo com as necessidades do mercado”, de acordo com o sociólogo prussiano Karl Marx.

Em primeiro lugar, a fim de compreender a relação indivíduo-sociedade, evidenciam-se construções de causalidade e consequência, como a busca de independência e flexibilidade pelos novos integrantes do mercado, oriunda da otimização do tempo e da valorização do sujeito pelas ferramentas tecnológicas, além da quebra do conceito de territorialidade do mercado possibilitada pela integração global na era da informação. Ademais, o fetichismo da mercadoria apontado pela filosofia de Marx é ultrapassado pelos Millennials, que provocam alterações na produção e no marketing das empresas, pois estes mostram-se preocupados com as origens do produto e o conceito de sustentabilidade. Desse modo, confirma-se o preceito da imensa coerção e influência do mercado sobre o indivíduo e vice-versa.

Contudo, apesar do crescimento exponencial da geração de startups e de outras formas de venda alternativa, é possível observar um enclave na introdução destas em um mercado investidor predominantemente em moldes arcaicos. Além da lacuna no incentivo aos projetos dos jovens empreendedores, o governo também se ausenta da incumbência de modernizar o sistema educacional, com o intuito de equipara-lo ao cenário contemporâneo, além de não direcionar investimentos no setor da tecnologia de ponta, o que perpetua o Brasil como um país emergente, transposto pelas potências desenvolvidas.

Diante dos pontos supracitados, cabe ao Estado, junto ao Ministério da Educação e às instituições de ensino, prover reformas na grade curricular que visem formar cidadãos efetivamente preparados para inovar o mercado de trabalho. Por meio da inserção da tecnologia na rotina escolar e de projetos que estimulem o empreendedorismo jovem, tornar-se-ia a educação um aparato em conformidade com a realidade mutante contemporânea.