Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials

Enviada em 01/08/2020

O seriado de TV  “Silicon Valley” levou a cultura de startups e dos millennials para o mainstream. Segundo Bill Gates a série retrata o ecossistema de startups com bastante precisão, na qual os “millennials”  - os nascidos entre 1980 e 2000 - estariam mudando o mundo. Entretanto, as aparências enganam. Eles não são tão diferentes das gerações anteriores. Eles têm necessidades semelhantes a geração de seus pais  – e estão em busca de um trabalho que lhes dê propósito existencial – apenas o contexto em que vivem difere daquele das gerações passadas.

Segundo a consultoria Glassdoor, um dos maiores sites de emprego e recrutamento do mundo, os  millennials buscam, essencialmente,  trabalhar em empresas que propiciem equilíbrio entre vida pessoal e profissional.  As startups, por características próprias, oferecem essa possibilidade. Sabe-se, entretanto, que no passado, as gerações anteriores também compartilhavam esse desejo. Entretanto, não existia forma de concretizá-lo.

Além do mais, a revista Forbes registra que “77% dos millennials dizem que horários flexíveis são a chave para a produtividade”. A consultoria Booz Allen, em 2016, complementa que, apenas no Brasil, a geração “millennials” corresponde a 44% da população economicamente ativa. Eles cresceram vendo seus pais sacrificarem as vidas pessoais por objetivos profissionais, e não estão dispostos a fazer o mesmo. Assim sendo, o ambiente das startups, permitiria maior liberdade e equilíbrio.

Por tudo isso, e por ser imperativo para a sobrevivência, as empresas devem implementar mudanças para atrair e reter os melhores perfis, independente de ser millennials, ou não. Isso se faz criando ambientes de cooperação, incluindo inovação, onipresença da tecnologia, remunerações dignas, participação nos lucros e resultados e flexibilidade de horários. Dessa forma, executar essas adaptações não significará “atender aos apelos” dos millennials, ou transformar em startups o mundo corporativo. Significará, sim, cumprir uma dívida social que as gerações passadas já queriam, tal qual o equilíbrio exigido pelos millennials nas startups .