Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials
Enviada em 24/09/2020
No filme norte-americano “A Rede Social”, o protagonista, que representa o programador Mark Zuckerberg em seus anos de juventude, cria uma rede virtual com seus colegas de faculdade. A rede ganha popularidade entre os jovens e se torna uma empresa milionária. Fora do universo ficcional, essas empresas de cunho inovador, conhecidas como “startups” estão se tornando uma tendência no mercado financeiro, expandidas principalmente pela geração Millennial, isto é, jovens nascidos entre 1980 e 1996. Nessa lógica, convém citar que esses jovens têm como objetivo, romper com os modelos tradicionais de produção, o que aumenta a flexibilidade das empresas, mas gera um contexto de instabilidade profissional.
A princípio, é importante analisar que nas gerações anteriores prevaleciam modelos rígidos de trabalho. Logo, cada funcionário possui sua função e apenas precisa executá-la com rigor ao longo das horas trabalhadas. Tal fórmula não leva em conta fatores como saúde física e emocional, apenas a sobrevivência. Em contraposição a essa linha, afirma Platão: “O importante não é viver, mas viver bem”, ou seja, para o filósofo a qualidade de vida possui maior importância que a mera sobrevivência, e os Millennials tentam aplicar essa ideia em todos os aspectos do cotidiano, inclusive o trabalho. As startups oferecem um espaço mais aberto e integrado, além de ambientes de lazer e flexibilização nos horários. Assim, o espaço está sempre se inovando, o que se mostra como ponto positivo, mas também exige que as pessoas estejam em constante atualização para se manterem ativas no mercado.
Por conseguinte, é gerado nos donos e funcionários desses empreendimentos uma tendência à instabilidade profissional. Convém citar, por exemplo, uma pesquisa da CBInsights - empresa privada que analisa a atividade de investidores no mercado - que afirma que 29% das startups fracassam por não saberem utilizar seu capital e se manterem no mercado perante outros concorrentes. Diante do exposto, é notável que se os Millennials querem estabelecer as startups como uma nova forma de negócio, não basta apenas a vontade de inovar, mas também a capacidade de saber investir.
Sendo assim, é indubitável que medidas podem ser tomadas para o crescimento das startups. Com isso, é preciso que o Poder Executivo direcione parte dos gastos públicos para a realização de projetos que visem o desenvolvimento profissional de jovens e adultos, por meio de cursos de capacitação com foco em conhecimentos da área de economia e empreendedorismo. Dessa forma é possível guiar a geração Millennial e as próximas para consolidar de modo eficiente as novas formas de relações de trabalho dentro do cenário atual.