Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials

Enviada em 22/09/2020

Martin Heidegger, pensador alemão, alertou, em 1950, que o pensamento computacional tornar-se-ia uma forma prevalente de pensar. De fato, percebe-se que os aparelhos digitais conectados à internet têm modificado relações, como, por exemplo, do mundo orgânico do trabalho. Nesse sentido, é de suma importância analisar o debate sobre a relação das startups- produto do cenário supracitado- e a geração Millennials- os nascidos entre 1979 e 1995. Desse modo, nota-se, no tecido social, como ferramenta que impede tal conjuntura venha a ser plena, não só um sistema educacional deficitário, mas também a falta de efetivação das garantias constitucionais.

A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação sociocultural. No entanto, os dados do IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- que um em cada quatro brasileiros não possui acesso à internet, evidenciam uma sociedade distante da pedagogia de freire. Nessa lógica, mazelas sociais que revela-se, nesse contexto, pela exclusão digital, impossibilita que o cenário das startups seja uma alternativa a todos, sendo assim, reverbera a máxima de Pierre Lévy: ‘‘Toda tecnologia cria seus excluídos’’. Dessa maneira, visualiza-se um sistema educacional deficitário, o qual não dialoga com as ideias freireanas e, portanto, não consegue formar um corpo social igualitário, no tocante à igualdade de oportunidades.

Outrossim, a Constituição explicita que é dever do Estado garantir um ambiente harmônico aos cidadãos. Entretanto, a realidade demonstra uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se, na verdade, à medida que não há políticas públicas, com o fito de dirimir questões que impedem a grande maioria da geração Millennials ter nas startups uma oportunidade, como, por exemplo, possibilitar a formação digital de muitos excluídos. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância entre a narrativa factual e a Carta Magna precisa ser solucionada.

Logo, é fundamental que o Poder Executivo, por meio de debates com o Ministério da educação, realize uma reforma educacional, a fim de mitigar a exclusão digital que muitos estão sujeitos. Posto isto, é importante que tal ação foque, principalmente, na disponibilização de salas computadorizadas nas escolas. Ademais, é imprescindível que o Terceiro Setor, aliado à mídia, desenvolva campanhas- por intermédio de depoimentos de cientistas sociais- que expliquem a importância de o Estado fazer políticas públicas eficientes, com o intuito de efetivar a Constituição. Dessa forma, resolver-se-ão os problemas oriundos do debate sobre as startups e a geração Millennials.