Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials
Enviada em 23/09/2020
Martin Heidegger, pensador alemão, alertou, em 1950, que o pensamento computacional tornar-se-ia uma forma prevalente de pensar. De fato, os aparelhos conectados à internet transformam a sociedade, como, por exemplo, no mundo orgânico do trabalho. Notadamente, as startups- empresas com pouco investimento inicial e expressivo crescimento financeiro- são produtos do cenário supracitado. Nesse sentido, é de suma importância analisar o debate sobre tais empreendimentos e a geração Millenials- os nascidos entre 1979 e 1995. Desse modo, observa-se como ferramentas que impedem uma relação mais harmoniosa, não só um sistema educacional deficitário, mas também a falta de efetivação das garantias constitucionais.
A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação sociocultural. No entanto, um em cada quatro brasileiros não possui acesso à internet, segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nessa lógica, nota-se a prevalência de mazelas sociais que mitiga a oportunidade de muitos terem na startups uma oportunidade de emprego, dado que o conhecimento digital é, majoritariamente, necessário. Dessa maneira, verifica-se um sistema educacional deficitário, o qual não dialoga com as ideias freireanas e, portanto, não consegue formar uma sociedade que usufrua das oportunidades de forma plena.
Outrossim, a partir da interpretação da Constituição Federal, entende-se que é dever do Estado garantir um ambiente equilibrado aos cidadãos. Entretanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se, na verdade, à medida que não há políticas públicas eficientes, com o fito de dirimir os emblemas- como a exclusão digital- que impedem que a geração Millennials veja nas startups uma oportunidade. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o Enigma da Modernidade, o qual elucida que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância entre a narrativa factual e a Carta Magna precisa ser solucionada.
Logo, é fundamental que o Poder Executivo, por meio do debate com o Ministério da Educação, realize uma reforma educacional, a fim de atenuar a segregação social e, assim, viabilizar a igualdade de oportunidades a todos. Posto isto, é importante que tal ação foque, sobretudo, nas ideias de Freire. Ademais, é imprescindível que o Terceiro Setor, aliado à mídia, desenvolva campanhas publicitárias- mediante depoimentos de cientistas sociais- que relatem sobre a necessidade do Estado criar políticas públicas, com o intuito de efetivar os dispositivos constitucionais. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas oriundos do debate entre a startups e a geração Millennials e, por fim, obter-se-á, no tecido social, um pensamento computacional, como pensou Heidegger, mais harmônico.