Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials

Enviada em 01/12/2020

Na década de 80, o Consenso de Washington foi o marco primordial para a ascensão da ideologia neoliberal no planeta , postulando a necessidade das nações de aumentar progressivamente a independência do mercado em detrimento da intervenção estatal nesse. Concomitantemente, a geração Millennials, dentro desse contexto, assimilava o ideal econômico vigente, refratando sua disposição ao empreendedorismo como solução da ausência do assistencialismo governamental. Entretanto, essa relação de fuga dos problemas conjunturais concatenou uma série de prejuízos aos envolvidos em microempresas com modelagens inovadoras de negócios, dado que isso é uma ilusão econômica e reflete diretamente no processo de financeirização do mercado. Logo é imperioso destrinchar a interação entre a geração Y e as startups.

Em primeira análise, salienta-se que essa visão empresarial consiste em uma armadilha da planificação neoliberalista. Progredindo tal afirmação, consoante filósofo Boaventura de Souza, a fomentação alienada para a criação de empresas trata-se de uma enganação econômica à sociedade, pois precariza gradativamente as condições de trabalho. Seguindo esse raciocínio, torna-se irrevogável que os nascidos nos anos de 1980, direcionados brutalmente a empreender, acabam recaindo sobre essa problemática tratada pelo intelectual, desse modo, não apenas prejudicam a si como também os proletários.

Em segunda perspectiva, ressalta-se que esse problema apresenta-se como consequência evidente do fenômeno de mundialização do capital financeiro. Desenvolvendo essa proposição, conforme o livro “A Loucura da Razão Econômica” de David Harvey, o mercado hodierno sofre uma vasta expansão financeira da sociedade cuja difusão manifestou-se na adaptação dos donos de empresas no que tange ao plano de negócios. Por tal raciocínio, alegorizando perfeitamente a proposta das startups, a relação delas com os Millennials tampouco ultrapassa essa interpretação, assim, sendo uma nevrálgica situação para eles.

Infere-se, portanto, que esse prisma da interação entre pequenas empresas e a geração Y advém das aplicações das teorias econômicas de mercado. Diante disso, urge que o Ministério da Educação, visando desmistificar esse panorama supracitado, conscientize a população acerca dos perigos do empreendedorismo idealizado em Washington, por meio da veiculação de propagandas informativas às pessoas de modo que, em detalhes, induzam o público alvo à reflexão sobre essa temática e seus conceitos. Enfim, rompendo com a veneração criticada pelo pensador referenciado.