Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials
Enviada em 05/09/2021
Na obra “Ensaio Sobre a Cegueira”, o escritor, José Saramago, expõe ao leitor o fenômeno da “Cegueira Moral”, denunciando a alienação da sociedade frente às diversas realidades sociais, o qual é fomentado pela restrição do acesso a informação. Fora da ficção, esse fenômeno é facilmente evidenciado no hodierno ambiente brasileiro, sobretudo, nos impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos, durante a quarentena. Este cenário nefasto, ocorre não somente em razão da não aplicação dos direitos, como também devido à insuficiente formação educacional da nação.
Primordialmente, é imperativo pontuar a forma como parte do Estado costuma lidar com a saúde dos mais velhos no Brasil. Para entender essa questão, é justo lembrar a obra “Cidadão de Papel”, do jornalista e pesquisador, Gilberto Dimenstein, no qual afirma que a legislação brasileira é ineficaz, visto que, apesar do país possuir uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê, não se é efetivado. Prova disso, é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas à aplicação do artigo 6 da “Constituição Cidadã”, que garante, entre tantos direitos, a saúde. Contudo, a jurisdição é deturpada, haja vista que, pouco se é investido em campanhas que mostrem a importância da valorização da saúde mental de idosos, além da carência de espaços de acolhimento psíquico, para idosos na quarentena. Com isso, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de combater a solitude mental dos macróbios.
Outrossim, cabe salientar a educação nos moldes predominantes do Brasil, como outro fator que contribui para a manutenção da problemática. Desta forma, é imperioso destacar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ela destaca a importância escola, em fomentar não somente o ensino técnico-científico, como também habilidades sócioemocionais, como respeito e empatia. Sob essa ótica, pode-se afirmar que, maioria das instituições de ensino no Brasil, uma vez que são conteudistas, não contribuem na empatização com a mentalidade dos idosos afetados pelo isolamento social durante a quarentena, logo não forma indivíduos da maneira a qual Freire idealizou.
Portanto, urge a interferência do Estado, afim de contornar os efeitos da quarentena na saúde psíquica dos idosos. Assim, compete ao Ministério da Educação –ramo do Estado responsável pela for- mação civil- inserir a disciplina de “Cidadania”, na grade curricular comum, desde a tenra idade, para que seja debatido acerca da importância da sociedade se organizar na demanda pelos direitos de saúde dos idosos, além de promover a empatia por realidades marginalizadas. Quiçá, assim, tornar-se-á possível a formação de uma sociedade permeada pela efetivação da Magna Carta.