Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials

Enviada em 09/09/2021

Desde os anos 80, uma regenerada forma de economia liberal tem se fortalecido no mercado de trabalho, trazendo preceitos de inovação, autonomia e mérito próprio. É então, sob essa nova matriz econômica, que surge o conceito de startup, numa cruza de fatores tecnológicos com esses ideais, cuja sombra os millennials se desenvolvem sob e para qual novas vínculos profissionais, como o freelance, são pensadas. No entanto, essa forma de trabalho e investimento não atinge a todos dessa geração de maneira positiva, ao ser, na verdade, fonte de precarização das relações empregatícias e desigualdade.

Isso se deve, primeiramente, ao contraste de oportunidades inerentes às diferentes classes sociais, o que se contrapõe com a perspectiva de mérito próprio do empreendedorismo, sobre o qual o conceito de startup se constrói. Nesse sentido, ela evoca o “mito da garagem” que, segundo o El País, se caracteriza por tentar passar uma imagem de “superação” sobre o surgimento das grandes empresas, destacando o caráter humilde como começaram - numa garagem e com pouco investimento -. Esse mito propaga que todos podem criar sua própria empresa do zero, ainda mais hoje, com as ferramentas dispostas pelas internet. Mas, apesar do divulgado, é bem mais difícil quando não se tem a infraestrutura, a estabilidade e apoio financeiro da família para abrir seu próprio negócio.

Por seguimento, a realidade das modernas microempresas atinge diferentemente a geração Y, pois, enquanto os millennials da elite tem o suporte necessário para desenvolver suas ideias e focar no crescimentos de seus negócios, há aqueles precisam ir atrás, logo cedo, de uma fonte de renda estável, com finalidade de sustento próprio ou familiar. Esses ainda são atravessados pelo aumento do trabalho informal, justamente, por conta de companhias iniciadas como startups, cujas relações trabalhistas são pautadas no Freelance. Este, por sua vez, é caracterizado por uma espécie de terceirização sem vínculo empregatício, sem carteira assinada e sem direitos. Com exemplo da própria Uber e Ifood. Em consequência disso, há a amplificação das desigualdades, que é escondido atrás do discurso sobre uma “geração empreendedora e modernizadora” que, de fato, só representa a alta sociedade.

À vista disso, é preciso que os governantes procurem promover a igualdade de oportunidades e regular as novas relações de trabalho, criando leis que incentivem a criação de empregos formais que possam ser atrativos para os millennials que buscam por um maior equilíbrio na carreira. Isso pode ser feito por meio de políticas protecionistas à empresas estatais em oposição às startups, pelo fato de servidores públicos, no Brasil, terem maior estabilidade. Dessa forma, é possível dar outras alternativas de ocupação para a generação Y, além do freelance e do empreendorismo sem certeza de retorno que, apesar de virem se fortalecendo, não podem ser as unicas opções para quem está em busca de renda.