Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials
Enviada em 24/03/2022
Em seu filme “tempos modernos”, Charlie Chaplin foi responsável por representar a divisão do trabalho de sua época, a qual constituia-se de um sistema rígido e de-marcado. Atualmente, no entanto, percebe-se um cenário muito distante daquele, em que predomina-se a liberdade, econtrada principalmente nas startups. Essa mudança de paradigma, provocou mudanças significativas na forma com que as pessoas percebem seu desempenho e seus objetivos, gerando uma sociedade de alta performance - muito danosa a quem não se adequa- que prioriza o trabalha-dor de alto desempenho e renunciam aqueles ditos cansados, ou despereparados.
Em primeira análise, verifica-se uma proximidade entre as startups e as novas ge-rações devido a flexibilização que elas oferecem. Todavia, ainda que esse ambiente seja preferência entre os jovens, a liberdade individual nele oferecida é proporcio-nal a responsabilidade individual exigida, que muitas vezes é ignorada. Dessa for-ma, o peso da produtividade cai sobre cada trabalhador separadamente, e não nas instituições, criando uma sociedade que o sociólogo coreano Byung-Chul Han, cha-ma de sociedade do desempenho. Pois, então, o ambiente será tomado por uma autoprovação, que surtirá em efeitos negativos se demasiada.
Ademais, destaca-se que as relações entre startups e jovens nem sempre são cor-respondentes. Nesse sentido, Milton Santos, geógrafo brasileiro, relata que as re-voluções técnico-científicas não se espalharam de forma igualitária pelo espaço em razão da desigualdade social, impossibilitando para alguns o acesso a ferramentas importantes na sociedade. Assim, jovens que não tem acesso aos mecanismos da informação, são considerados ultrassados pelas empresas de tecnologia, que são as startups, ficando vulneráveis ao desemprego e a trabalhos de baixo valor.
Portanto, faz-se necessário que as instituições de ensino, privadas e públicas, acompanhem o desenvolvimento e as expectativas dos jovens em sua carreira pro-fissional, desmistificando - através de palestras e acompanhamento psicológico- as pressões exercidas nos novos ambientes de trabalho, para que a autovalidação não atrapalhe seu desenvolvimento e que assim sejam bem recebidos pelo am-biente profissional. Além disso, urge a necessidade de um acompanhamento téc-nico para corrigir desvantagens provocadas pela desigualdade técnico-científica.