Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials

Enviada em 20/10/2022

O filme “Os estagiários” mostra dois homens, já na casa dos 40 anos, que decidem se inscrever no programa de estágio da Google depois de perderem seus antigos empregos. Imitando a realidade de forma caricata, o longa retrata o choque de cultura dos protagonistas em um meio repleto de jovens com menos que metade da sua idade. Esse choque de gerações não se restringe à ficção. Nota-se, de forma cada vez mais evidente, que as gerações Y e Z se tornam maioria nas startups e empresas de tecnologia, enquanto as anteriores brigam para manter espaço nas corporações tradicionais. Esse choque pode levar a dois problemas: a insustentabilidade de novos negícios e a obsolecência de empresas consolidadas.

O primeiro ponto se relaciona diretamente à enorme quantidade de startups que surgem todos os dias, na tentativa de resolver problemas que muitas vezes atingem um nicho irrelevante. De acordo com uma pesquisa do Sebrae, cerca de 25% das startups não ultrapassam a chamada “curva da morte”, encerrando suas atividades com menos de um ano. Dentre outros fatores, podemos interpretar esse dado como prova da ansiedade dos millenials para criar sua própria forma de trabalho, já que não encontram os locais ideais no mercado tradicional.

Em contrapartida, também é necessário considerar o efeito que o mercado dominado por millenials provoca nas empresas tradicionais. Por falta de flexibilidade às novas demandas, elas acabam perdendo colaboradores altamente qualificados e aumentando a rotatividade. A limitação de idade nos processos de trainee é uma clara tentativa de atrair mais jovens, por exemplo, mas a dificuldade maior está na retenção desses talentos, que não se prendem mais a planos de carreira de 10 anos em uma mesma empresa.

Para solucionar esses problemas, portanto, é imprenscindível investir em modelos de transição, que tragam sustentabilidade às startups e flexibilidade às corporações engessadas. Isso pode acontecer, por exemplo, por meio de consultorias especializadas, prestadas por empresas privadas a corporações financeiramente estáveis, e de forma gratuita às demais por meio de serviços públicos como o Sebrae e as federações das indústrias de cada estado. Dessa forma, criaremos um mercado equilibrado e sustentável que perpasse as gerações.