Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 01/10/2018

O seriado brasileiro “Sob Pressão” estreado em 2017, mostra os dilemas vividos por uma equipe de médicos de um hospital público e suas relações para lidarem com as precariedades e manterem os pacientes vivos. Tal seriado, evidencia que apesar das diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro serem excelentes por oferecer um atendimento gratuito a todos os brasileiros, sem qualquer tipo de discriminação padece de mau gerenciamento das ações e dos serviços. Nesse sentido, é perceptível que o desvio de verbas aliado a falta de transparência sobre as transações financeiras e a escassez de políticas preventivas são causas da calamidade da saúde pública atual do Brasil.

Em primeira instância, dados do site G1 apontaram que em 2016 houve uma redução no fornecimento gratuito de medicamentos para tratamento de doenças graves e corte nos investimentos de hospitais e postos de saúde. Assim sendo, torna-se notório o descaso do poder público com o gerenciamento do sistema; e a tensão financeira do Estado permite que as principais verbas para a saúde sofram desvios e corrupção, a qual sem a fiscalização com as transações financeiras favorece sua perpetuação. Dessa forma, com o dinheiro destinado a medicamentos, infraestrutura e pagamento de funcionários desviado, a qualidade do atendimento é comprometida, pois há vários casos de cancelamento de cirurgias por falta de instrumentos básicos como macas, roupas apropriadas e equipamentos descartáveis.

Somado a isso, o movimento da Revolução Sanitária em 1970 que deu origem ao SUS na Constituição Federal de 1988, apresentou um projeto que revolucionou a saúde brasileira e permitiu aos cidadãos o acesso ao tratamento adequado. Contudo, mesmo hodiernamente o projeto ainda está em construção e precisa ser aprimorado, pois não tem ações e serviços preventivos eficientes. Por certo, não garante que a população envelheça com saúde e assim contenha os gastos estatais com a parte que mais cresce da sociedade, além de não investir em políticas que combatam a obesidade e doenças cardiovasculares que surgem por meio dela as quais podem ser prevenidas com hábitos saudáveis.

Portanto, apesar do Brasil ter idealizado um dos melhores sistemas de saúde pública do mundo, ainda precisa de valorização e dedicação. Assim, é imprescindível que o Ministério da Saúde, reivindique ao governo mais transparência a respeito do dinheiro destinado às verbas, por meio de contratos e extratos que mostrem a quantia e a funcionalidade do capital designado aos hospitais e postos, a fim de revigorar as fiscalizações e sanções nos casos de corrupção. Além disso, escolas e mídia mediante campanhas educativas e alertas sociais, cobrem ao Estado políticas preventivas que atendam crianças e adultos, como: vacinações, incentivo a atividades físicas e policiamento de alimentos em feiras e supermercados, com o intuito de investir em medicina preventiva e melhorar a sobrecarga do SUS.