Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 01/11/2018
A Constituição Cidadã completa 30 anos em 2018 e garantiu, pelo menos em teoria, direitos fundamentais para a população. Nesse contexto, um dos benefícios foi a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) que prevê o acesso universal e igualitário aos serviços de saúde. Apesar de ser um sistema considerado uma referência, pelo Banco Mundial, por sua ideologia, alcance e multiplicidade de serviços, ele ainda apresenta algumas falhas depois de 3 décadas, como a falta de médicos e infraestruturas hospitalares precárias. Logo, compreender as principais causas e os contrastes existentes dentro do território que travam o bom funcionamento da instituição, assim como encontrar as respectivas soluções, é fundamental para uma melhor qualidade de vida do povo brasileiro.
Em primeira análise, é válido lembrar que o atual cenário de crise econômica propulsiona os principais problemas encontrados no SUS. Nesse prisma, o governo pouco investe na área da saúde, seja em hospitais ou na formação de novos profissionais, e, por conseguinte, frequentemente há relatos na mídia sobre atraso na entrega de medicamentos, longas filas de espera para uma consulta ou cirurgia e falta de leitos hospitalares da rede pública, onde os mais precários ambulatórios chegam a alocar pacientes em corredores e macas improvisadas. Essa falta de investimento é nítida para a Organização Mundial da Saúde (OMS) que mostrou que apenas 3,6 do orçamento do Governo Federal é destinado a saúde, enquanto a média mundial é de 11,7, o que traz esses e tantos outros desafios .
Além disso, há um contraste nos serviços prestados de acordo com a região. O Sul e Sudeste detém mais hospitais de referência, como o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto - SP, ligado à Universidade de São Paulo (USP), uma das melhores do país. Contudo, esse é um dos casos isolados em uma nação que sofre com o mal preparo dos profissionais e a falta de médicos para atender a população. Segundo a OMS, existem 17,6 médicos para cada 10 mil brasileiros, já na Europa essa taxa é de 33,3. Nesse sentido também, de acordo com a USP, as cidades do interior do Nordeste e Norte são as mais afetadas - dados que retratam uma deficiência no setor e contribui para a situação atual.
Fica evidente, portanto, que o SUS apresenta obstáculos e ainda não foi consolidado de forma eficiente. É preciso que o Governo Federal, junto com o Ministério da Saúde, invista mais recursos na área da saúde, com a criação de mais hospitais e unidades básicas de atendimento bem distribuídas pelo território. Cabe também a esses órgãos, realizar projetos para ampliar a formação de profissionais, como o Programa Mais Médicos - já em andamento - porém, com uma maior fiscalização da qualidade de ensino nas universidades, visando o desenvolvimento de doutores qualificados. Desse modo, consegue-se uma maior agilidade, eficiência e igualdade de atendimento de pacientes por todo o país. Logo, a população pode reivindicar e usufruir de seus direitos na área da saúde de uma maneira mais digna após 30 anos de espera, e o Sistema pode ser considerado um sucesso, na teoria e na prática, pelo resto do mundo.