Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 03/11/2018
De acordo com o pensamento do filósofo Arthur Schopenhauer, não conhecemos a realidade em si, mas a representação dela por meio de uma visão individual. A partir disso, é possível estabelecer uma analogia com o contexto brasileiro no âmbito da saúde pública, haja vista que as distintas realidades no país demandam um olhar crítico e coletivo, ao invés do particular vigente, para que os entraves sejam, de fato, resolvidos. Nessa perspectiva, cabe atentar às causas e às viáveis propostas de solução que permeiam a problemática.
Em primeira observação, vale destacar a importância de possuir um sistema de saúde para a qualidade de vida da população. Desse modo, foi criado o Sistema Único de Saúde (SUS) em conjunto com a Constituição de 1988, que designa a saúde como direito de todos e dever do Estado. Assim, embora criticado por milhares de brasileiros, o SUS é considerado um avanço no campo internacional, em detrimento de planos com cobertura total médica e odontológica, com acesso a procedimentos cirúrgicos, medicamentos e proposta democrática de acesso.
Outro ponto que merece atenção é a origem de tamanha indignação de parte do corpo social para com o funcionamento do SUS. Por conseguinte, por ser marcado pela alta burocracia e pela qualidade heterogênea de serviços, devido à falta de recursos em certas regiões, fruto da corrupção, o brasileiro enxerga, na maioria das ocasiões, somente o lado negativo. Em adição ao relatado, exerce relevância, ainda, o contexto de atuação de planos de saúde privados, que em conjunto com os meios de comunicação, para vender seus serviços, acaba por deteriorar a imagem do Sistema, convencendo o corpo social com o senso comum de que os planos particulares são superiores em qualidade. Em meio a isso, urge que o tópico da saúde pública seja posto em evidência com maior vigor, haja vista que segundo Schopenhauer, o sofrimento é uma realidade para os homens, e, então, é preciso atenuá-lo.
Tendo em vista o exposto, é imprescindível que caminhos sejam buscados para solucionar o entrave. De início, deverá ocorrer uma maior fiscalização, tanto dos recursos destinados ao SUS, pelos tribunais de Contas da União e dos estados, como também evitar negligência de funcionários, com multa e medidas punitivas, além de realizar mudanças na gestão dos recursos, para otimizar as verbas. Outrossim, o Ministério da Educação deve ofertar cursos, em conjunto com universidades e hospitais, para que os médicos tenham maior especialização e, por meio de projetos com o Ministério da Saúde, possuir ciência das distintas realidades e atuar em áreas isoladas e periféricas. Por fim, só será possível um progresso com a participação da sociedade, mediante denúncias em ouvidorias e no Disque Saúde (136), assim como exigindo seus direitos constitucionais através do senso crítico.