Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 14/04/2019

A coletânea de “As crônicas de gelo e fogo” retrata uma guerra civil dinástica entre várias famílias. Na série, Cidadela é a sede da ordem dos meistres, estudiosos responsáveis pelas questões médicas e científicas do continente Westeros. Embora permita o acesso gratuito a todos os cidadãos, problemas como a superlotação, falta de estrutura física e escassez de recursos médicos impedem o cumprimento dos deveres estabelecidos pelo governo. Na atualidade, o descaso com a saúde pública no Brasil permite atestar que a concepção da obra descreve uma realidade vigente, seja falta de investimento governamental, seja pela má gestão financeira.

Em uma primeira análise, observa-se a importância de analisar o problema sob um viés estrutural. A falta de infraestrutura atravanca o êxito do Sistema Único de Saúde (SUS). Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) revelam que a cada 100 hospitais, 64 estão sempre superlotados. Assim, a má distribuição de equipamentos e medicamentos, a escassez de leitos, a demora no atendimento médico se constituem como fatores que explicitam a ineficiência dos hospitais federais e das Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Percebe-se, portanto, que os recursos não atendem ao dever do SUS de atender todos os brasileiros de forma universal.

Outrossim, é notório que a má gestão financeira e a corrupção estão diretamente relacionadas às falhas do sistema de saúde pública. Segundo pesquisas realizadas pela Fundação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), 2,3% do PIB nacional são perdidos anualmente devido à corrupção. Infere-se, portanto, que o extravio de fundos impossibilita a expansão dos recursos mais procurados pela população como, por exemplo, as Unidades Básicas de Saúde (UBS). O descumprimento da medida não só aumenta a sobrecarga dos hospitais, mas também inviabiliza o atendimento íntegro dos brasileiros.

Desta forma, torna-se imprescindível a adoção de políticas mediadoras a fim de contornar essa realidade. A intervenção do Ministério da Saúde em prol do cumprimento da carta magna se torna concebível por meio de elaboração de medidas que visem melhorar os serviços públicos prestados aos brasileiros. Ademais, é necessário que o Estado averigue a aplicação do capital direcionado à saúde a fim de evitar possíveis desvios. Somado a isto, cabe à mídia fomentar o interesse da população pelo tema por meio campanhas de conscientização e propagandas. Destarte, a realidade ficará cada vez mais distante da ficção supracitada.