Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 24/04/2019

Em 2016, no Brasil, ocorreu um surto dos casos de Dengue: doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti. Na ocasião, foram registrados mais de 800 mil casos da doença e 150 mortes nos 4 primeiros meses do ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Assim, essa realidade denuncia uma fragilidade no sistema de saúde pública brasileiro. Sendo assim, é necessário que esse cenário seja enfrentado, tanto por trazer complicações à saúde do indivíduo, como por denunciar problemas de ordem social.

Em relação ao primeiro aspecto, cabe destacar que a precariedade do atendimento na rede pública de saúde causa muitos transtornos aos pacientes. Os serviços de saúde prestado por órgãos públicos, no Brasil, é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sistema esse que tem entrado em colapso, como revela reportagem do jornal “Estadão”: o país tem 904 mil pacientes na fila de espera do SUS para a realização de cirurgias, e essa espera pode levar até 12 anos. Nota-se, assim, que a insuficiência no atendimento acaba gerando adversidades no tratamento das pessoas que aguardam a realização de procedimentos cirúrgicos. Portanto, se negligenciada, a realidade do sistema de saúde causará  um aumento do número de mortes por doenças com tratamentos simples e eficazes que se agravaram devido à superlotação dos hospitais.

Já quanto ao segundo ponto, é relevante mencionar que a precariedade da saúde pública brasileira é, também, decorrente da grande desigualdade social. Para elucidar essa ideia, vale recorrer ao que diz o sociólogo Zygmunt Bauman em seu livro “44 cartas do mundo líquido moderno”. Segundo o teórico, as “causas comuns” de morte: fumo, obesidade e diabetes, afetam mais os pobres que os ricos. Dessa forma, o jornal “O Globo” expõe que mais de 110 mil mortes foram registradas em 2015, no Brasil, pela obesidade. Conclui-se, então, que males facilmente evitados, devido ao seu grande conhecimento e à grande quantidade de informações disponíveis sobre eles, são frequentes em sociedades onde o acesso à informação é limitado, como em vários segmentos da sociedade brasileira.

Em suma, é urgente pensar em uma forma de combater essa problemática. Para isso, o Governo Federal, deve em curto prazo, repensar a atuação e a organização do SUS. Isso pode ser feito por meio da adequação da distribuição de recursos: controle de gastos, contratação de profissionais capacitados e ainda investimentos na compra de novos equipamentos e construção de salas e leitos para o tratamento de pacientes. Sabe-se que isso não extinguirá o problema da saúde pública brasileira, mas é um passo importante para a melhoria das condições de atuação dos profissionais e para a redução do tempo de espera nas filas para realização de operações.