Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 26/05/2019

Na série televisiva brasileira “Sob Pressão”, é apresentada a caótica situação do Sistema Único de Saúde (SUS), marcado por suas péssimas condições, as quais afetam não só os pacientes como também os médicos. A trama, apesar de ser uma ficção, não se afasta do cenário atual da saúde pública brasileira, fato que demonstra a importância de debater sobre esse sistema. Nesse contexto, seja pela negligência estatal, seja pela inatividade dos indivíduos, tal mazela ocorre.

Em primeiro lugar, é importante salientar a omissão do Estado frente a tal questão. Sob essa ótica, segundo o filósofo John Locke, os indivíduos cedem sua confiança ao Governo, que, em contrapartida, deve garantir os direitos básicos aos cidadãos. Contudo, ocorre que a ideia de Locke está distante de ser realidade, haja vista a falta de iniciativa das autoridades públicas na mitigação das precárias condições do sistema sanitário, o qual é retratado pelas longas filas, carência de investimentos e, sobretudo, pela escassez de profissionais. Em decorrência disso, gera-se um cenário inerte, no qual o Estado não age e, assim, colabora com a persistência de um sistema de saúde deficitário. Desse forma, faz-se imprescindível a reformulação dessa conjuntura.

Ademais, é válido averiguar, ainda, que esse contexto escatológico da saúde pública persiste intrinsecamente ligado a baixa atuação da sociedade. Isso ocorre devido a passividade do tecido social que difunde discursos, os quais demonstram uma insatisfação com os serviços das redes públicas de saúde, entretanto, não buscam meios de garantir um sistema de qualidade assegurado pela Constituição. Por conseguinte, os seres acabam por colaborar com esse impasse, confirmando o pensamento do ativista Martin Luther King, o qual afirma que um povo que aceita o mal sem protestar, coopera com ele. Logo, é indubitável uma ação da população em busca de melhores condições para  o sistema de saúde brasileiro.

Portanto, o Governo deve, com urgência, investir uma maior parcela do orçamento público na saúde. Essa ação pode ser feita por meio de uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, a fim de que os cidadãos tenham um sistema sanitário de qualidade e eficiente. Paralelamente, cabe aos indivíduos uma luta pelos seus direitos, principalmente, o da saúde, mediante a protestos e campanhas-feitas nas ruas e nas redes sociais-, com vistas que as autoridades cumpram seus papéis e percebam que a sociedade estará ativa na fiscalização do cumprimento desses deveres. Assim, a realidade apresentada pela série fará parte apenas da ficção.