Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 24/06/2019

Em sua obra “Manifesto Comunista", o sociólogo alemão Karl Marx expõe a realidade contrastante das classes mais abastadas e a parcela populacional com menor poder de compra. Fora das páginas, é fato que o modelo capitalista pós-moderno impõe barreiras à equidade entre os indivíduos de classes sociais diferentes, principalmente no tocante à saúde. Desse modo, um sistema de saúde público com infraestrutura física debilitada, juntamente com a má remuneração dos profissionais da saúde, torna-se inconcebível e merece um olhar mais crítico de enfrentamento.

Em primeiro lugar, é válido reconhecer como o panorama supracitado é capaz de dirimir o princípio inalienável de isonomia garantido pela carta magna brasileira. Segundo os princípios da Constituição de 1988, todos os cidadãos são iguais perante seus direitos e deveres. Dessa maneira, a atual situação do Sistema Único de Saúde – com filas incontáveis para exames simples, com a falta de equipamentos básicos para procedimentos cirúrgicos, entre outros – dificulta que a isonomia seja plenamente vivida dentro do território brasileiro. Logo, as barreiras entre os mais abastados - que possuem planos particulares de saúde - e a população que necessita da saúde pública só aumentam no país continental.

Ademais, torna-se evidente que a má remuneração aos profissionais de saúde no setor público se soma a infraestrutura deficitária e amplia os problemas relacionados à essa esfera governamental. Acerca disso, é pertinente reconhecer o discurso do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, que reverbera sobre os malefícios de deprimir a saúde por qualquer outro fator. Diante disso, por mais que os salários sejam significativamente menores no setor público, o juramento médico de Hipócrates concebe que se deve ajudar o ser humano mesmo em condições precárias. Portanto, a saída de médicos do Sistema Único de Saúde pela busca de melhores salários, além de dificultar ainda mais a qualidade de atendimento público de saúde, também é inconcebível perante a ética médica.

Destarte, medidas presidem ser tomadas para mitigar essa problemática. Para tanto, é mister que o Ministério da Saúde invista em melhorias no Sistema Único de Saúde, por meio de campanhas digitais que clamem por doações filantrópicas de empresários conscientes da importância desse setor para a equidade dos seres humanos menos abastados. Dessa forma, é passível de concepção um setor de saúde público menos deficitário, que compreende o indivíduo como ser dotado de necessidades e não apenas uma peça nas mãos do capital.