Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 26/06/2019
“O Brasil não tem povo, tem público”, disse Lima Barreto, arguto crítico de nossa República. Sob esse viés, pode-se afirmar que há muito alarde, mas pouco se faz para resolver questões urgentes, como os problemas da saúde pública. Nesse contexto, empecilhos como a falta de médicos ou, ainda, o precário investimento financeiro precisam ser superados.
A priori, é importante frisar que a falta de médicos burla um preceito fundamental de nossa Constituição Cidadã: o direito à saúde. À vista disso, é inadmissível que, segundo o Conselho Federal de Medicina, haja apenas 1 médico para cada 470 pessoas. Diante desse fato, torna-se visível que o Estado brasileiro descumpre à lei maior de nosso país ao não garantir esse direito básico.
Outrossim, é notório que, na atualidade pós-colonial, o pouco investimento de recursos públicos destinados à saúde é constitutivo da realidade brasileira. Tal fato é ratificado no fato de, no ano de 2018, o governo federal dedicou apenas 3,6% do orçamento à saúde, enquanto a média mundial foi de 11, 7%. Dessa maneira, salienta-se que o governo federal não está disposto a reverter o quadro do deficiente sistema de saúde pública brasileiro.
Diante dos fatos expostos, medidas precisam ser tomadas com o objetivo de corrigir as deficiências do sistema de saúde pública. Para isso, o Ministério da educação deve, por meio de verbas públicas, incentivar a criação de vagas nas faculdades federais de medicina, com o objetivo de suprir a carência que o Brasil possui de médicos. Além disso, o governo federal precisa destinar maior atenção à medicina preventiva, com o objetivo de reduzir os gastos com internações, já que a prevenção é menos custosa do que a cura. Somente mediante a adoção dessas medidas, o Brasil deixará de ter público para, enfim, ter povo.