Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 16/07/2019

De acordo com Karl Marx, sociólogo alemão, as transformações ao longo da história ocorriam quando as contradições ao bom funcionamento da vida em sociedade tornavam-se insustentáveis. Nesse sentido, no presente, os empecilhos na efetividade da saúde pública brasileira configuram-se como uma das contradições mais desfavoráveis no bem-estar dos indivíduos, o que se deve a fatores como a falta de políticas preventivas, bem como a inadimplência das estruturas hospitalares. Assim, torna-se necessário analisar as vertentes que englobam esse cenário.

É importante considerar, de início, a escassez de medidas preventivas como campo fértil para os agravos da saúde brasileira. Nesse âmbito, em consonância com a sociologia durkheimiana, a sociedade é semelhante a um organismo vivo e necessita que todas as suas partes estejam interligadas para seu pleno desenvolvimento. Entretanto, contrariando essa lógica de organicismo social, a falta de ações governamentais no estabelecimento de condições que inviabilizam a expressão de diferentes doenças, como o acesso ao saneamento básico, por exemplo, assim como a transparência educativa-informativa dos métodos de prevenção de enfermidades, principalmente em regiões mais carentes, repercute diretamente na potencialização de um ambiente social pouco coeso na integridade necessária para a minimização de doenças evitáveis.

Outrossim, é valido ressaltar que a desestruturação dos ambientes hospitalares públicos é igualmente fator desse panorama. Dessa maneira, de acordo com a Constituição Brasileira de 1988, a saúde é um direito de todos e dever do Estado prover os mecanismos indispensáveis à sua plena aplicabilidade. Porém, é factível que a materialização desse direito não encontra amparo na realidade da sociedade, uma vez que constantemente verifica-se hospitais públicos com atendimentos demorados, falta de materiais, assim como a limitação de profissionais, o que, de fato, reflete negativamente na resiliência necessária no tratamento dos pacientes. Com efeito, é primordial a recuperação de uma estrutura hospitalar mais sólida em consonância com a universalização do direito à saúde.

É imperioso, portanto, mecanismos enérgicos no embate desse cenário.Assim, cabe a gestão federal, juntamente com o Ministério da Saúde proporcionar a ambientação efetiva de um sistema de saúde preventivo. Isso pode ser concretizado por meio de associações com centros particulares de saúde, para que, a partir da eficiência de projetos  como “saúde da família”, possa estabelecer um atendimento mais holístico na prevenção de doenças evitáveis nas comunidades, e teria como objetivo amenizar gradativamente a obstrução dos hospitais púbicos e garantir a eficacia desses. Enfim, poder-se-á transformar uma sociedade livre de contradições que inviabilizam o direito ao bem-estar da população.