Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 27/07/2019
Segundo a constituição federal de 1988, a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Desse modo, o Estado fica responsável pelos meios que sustentam a saúde pública, no caso do Brasil, o Sistema Único de Saúde. Entretanto, o desgoverno público e a falta de comprometimento com a saúde implicam no colapso desse sistema.
Convém ressaltar, que o Brasil é um grande palco do desgoverno público cercado de escândalos de corrupção e mal planejamento. Prova disso, está certamente na saúde pública que sofre com inúmeros desvios de verbas que seriam destinadas às unidades de atendimento básico, redes de emergência, compras de matérias hospitalares, contratação de equipes médicas e principalmente no investimento de equipamentos tecnológicos que possam melhorar de maneira significante o sistema como um todo. Ademais, o mal planejamento dos gastos públicos faz com que em momentos de crise o governo corte verbas do SUS, subfinanciando e negligenciando ainda mais um sistema em colapso.
Outrossim, o governo trata a saúde pública como um “sintoma” de uma sociedade “sufocada” sempre buscando soluções imediatas e com prazo de validade. Torna-se um exemplo, a implantação do programa Mais Médicos, que visa contratação de médicos estrangeiros para ocuparem vagas em regiões periféricas que são defasadas em assistência de saúde. Nesse contexto, a problemática de estruturação hospitalar nas periferias e investimento nas condições de trabalho dos médicos nacionais é ignorada, logo, o problema é continuo e faz com que médicos formados se recusem a exercer a profissão no sistema público, buscando sustento na rede privada. Ademais, segundo o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, o SUS atende 75% da população brasileira, mas possui menos médicos do que o setor privado que é responsável pelos outros 25%.
Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para que a saúde brasileira seja exemplo e não descaso público. Em primeiro plano, é de suma importância que o Ministério da saúde em conjunto com os Estados, Municípios e órgãos especializados se unam e tracem um novo gerenciamento dos recursos, tornando o município de cada cidade responsável pela saúde da região, assim, redirecionando verbas para áreas com necessidades especificas e fiscalizando a manutenção do sistema. Além disso, deve-se contar com a seriedade dos governantes com o dinheiro público. De outra parte, o governo vigente deve tratar a saúde como prioridade investindo nas condições de trabalho dos médicos recém-formados com planos de carreiras no sistema público e direcionamento gastos em tecnologia que facilite e torne o SUS eficiente. Dessa forma, com um planejamento e gerenciamento adequado à sociedade brasileira terá um aumento na expectativa de vida e poderá se beneficiar do cumprimento dos direitos estabelecidos na constituição de 1988.