Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 06/08/2019

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima para sempre. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra regressava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta dos brasileiros para desfrutar dos seus direitos constitucionais. O direito à saúde, por exemplo, vem sendo cada vez mais negligenciado, culminando no sucateamento da saúde pública. Diante disso, analisar as causas dessa mazela é fundamental para mitigá-la.

É preciso analisar, antes de tudo, como a falta de investimentos na saúde, por parte do Estado, corrobora para o problema. A série brasileira “sob pressão” retrata o dia a dia de médicos que trabalham contra as adversidades dos hospitais públicos, dentre as quais pode-se citar: a falta de leitos, estrutura precária, poucos recursos. Fora das telas, a realidade não é diferente, visto que a saúde pública no país está piorando gradativamente. Isso porque, a desqualificada gestão do dinheiro público, somada ao desvio de verbas, resulta na falência do sistema único de saúde(SUS) e consequentemente reduz a qualidade de vida da população.

Além disso, pode-se observar uma violação, do Estado brasileiro, à constituição federal. Denominada constituição cidadã de 1988, ela prevê que a saúde pública é um direito de todos, e é dever do Estado proporcioná-la. O sistema único de saúde (SUS) foi criado baseado nesse princípio, e foi considerado pela Organização das nações unidas (ONU) como o maior sistema de saúde gratuito e universal do mundo. Entretanto,apesar da sua parte teórica receber inúmeros elogios, muitas medidas não são aplicáveis. Nesse sentido, notam-se várias falhas na execução prática desse projeto e como consequência disso, notícias como a publicada pelo site G1, no qual afirma que 14 pessoas morrem,por dia, no Rio de Janeiro, por conta da baixa infraestrutura de hospitais, tornam-se cada vez mais frequentes em todo o país.

Fica evidente, portanto, a urgência em resolver o problema. Para isso, é preciso que o Governo Federal em parceria com o Ministério da Saúde, invista mais verbas em hospitais e que nesses haja pessoas capacitadas para gerir e melhor distribuir tais recursos, empregando capital em mais leitos, materiais em geral e infraestrutura, a fim de melhor servir a população. Ademais, a Mídia, por meio de comerciais e ficções engajadas, deve incitar a população a reivindicar os seus direitos constitucionais, e agir como agente fiscalizador do SUS, para que assim, o mesmo funcione corretamente. Somente dessa maneira, o problema poderá ser resolvido.