Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 18/08/2019
Doenças. Desespero. Necessidades a serem atendidas. Todos esses fatores são os principais motivos que levam a população a recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS), o que gera uma demanda exorbitante de pacientes, muitas vezes desproporcional à quantidade de médicos que atendem nessas unidades. Como forma de conter a carência de profissionais, a abertura de diversas faculdades de medicina fez-se presente no Brasil nos últimos anos. Contudo, a verdadeira causa do impasse encontra-se na falta de verbas governamentais atrelada à má distribuição de profissionais da saúde, sendo necessárias medidas não sintomáticas, mas que busquem de fato aprimorar a saúde brasileira.
Em primeiro plano, vale ressaltar que o precário direcionamento de investimentos em órgãos públicos de saúde compromete seu funcionamento adequado. Segundo dados levantados pela ONU, a França é o país que mais investe em saúde, diferentemente do Brasil, onde os hospitais públicos encontram-se carentes de materiais básicos, tais como seringas, vacinas, soros e outros. Pela falta de recursos, médicos ficam limitados na execução de suas obrigações para com os pacientes,o que resulta em demora no atendimento, encaminhamentos e impossibilidade de procedimentos, comprometendo assim a assistência integral oferecida pelo SUS.
Consequentemente, devido à falta de financiamento, os profissionais não se sentem motivados a trabalhar na esfera pública, resultando em desorganização na rede de distribuição de trabalhadores. A desconcentração de médicos o Brasil é notável, marcada, sobretudo, pelo excesso dos mesmos em redes privadas e escassez no SUS, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM). Somado a falta de investimentos, a ausência de profissionais potencializa ainda mais as filas e limitações no atendimento. Dessa forma, a abertura de faculdades de medicina não resolve o problema, já que a maioria dos recém-formados compete por vagas de trabalho nos hospitais privados, os quais têm os recursos necessários para uma boa prática da profissão médica, diferente da rede pública.
Com base nessa perspectiva, é necessário que medidas sejam tomadas para melhoria do sistema de saúde brasileiro. Primeiramente, é preciso uma ação conjunta entre o Ministério da Saúde e o Poder Legislativo, de modo a promover uma emenda na Lei das Diretrizes Orçamentárias, para que mais investimentos sejam direcionados à saúde, a fim de melhorar a estrutura hospitalar, repor medicamentos em falta , e assim, melhorar o atendimento público. Além disso, é necessário que o CFM promova ações afirmativas , tais como salários atrativos , para melhorar a distribuição médica e permitir que o SUS atinja seu potencial adequadamente.