Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 22/08/2019

A Constituição Federal (CF), promulgada em 1988, garante a todos os brasileiros o direito à saúde pública de qualidade, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), que representa um dos maiores sistemas de saúde do mundo. Entretanto, apesar dos inúmeros benefícios à população, esse sistema tem sido alvo de constantes trotes e peripécias de cidadãos inconvenientes que oneram e prejudicam o seu funcionamento. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 60% das ligações recebidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) são trotes. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, seja em virtude da falta de empatia do cidadão, seja pela frágil base educacional.

Em primeira análise, uma das causas do problema está alicerçada na ausência da empatia. Destarte, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Sob esse viés, a tese do sociólogo está inerente à realidade brasileira, no que tange aos impactos dos trotes sobre o sistema de saúde, pois a falta de empatia e o individualismo impedem que os infratores se preocupem com as consequências de seus atos. No entanto, essas ações irresponsáveis podem ter efeitos catastróficos à saúde pública. Por exemplo, uma ligação com pedido falso de ambulância pode atrasar ou inviabilizar um atendimento real, causando sequelas e até a morte, em casos mais graves.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a frágil base educacional brasileira, que pouco trata de assuntos como cidadania e convivência em sociedade, contribuindo para as incivilidades praticadas contra o sistema público de saúde. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Sob essa lógica, é possível compreender que se as pessoas não têm acesso à informação qualificada acerca dos impactos que os trotes ou o mau uso do SUS trazem à sociedade, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do problema. Por isso, é imprescindível que as escolas abordem em sua grade curricular, além do ensino básico, os direitos e deveres do cidadão, a fim de provocar os jovens à reflexão e reduzir a ocorrência dessas frivolidades imprudentes.

Portanto, para eliminar a prática de trotes contra o sistema público de saúde brasileiro, o Ministério da Educação deve promover palestras e oficinas lúdicas nas escolas, por meio de profissionais especializados, a fim de fomentar a reflexão nos alunos, pais e responsáveis, demonstrando a importância do uso adequado dos serviços públicos de saúde, bem como as consequências que uma simples “brincadeira” pode refletir na sociedade. Assim, espera-se que os cidadãos cooperem para que o SUS permaneça assistindo a população necessitada, consoante ao disposto na CF brasileira.