Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 19/10/2019
O médico brasileiro Drauzio Varella, em uma de suas entrevistas concedidas ao jornal Fantástico - Emissora Globo - afirmou que o Brasil já evoluiu muito no que tange à saúde pública, entretanto, ponderou a existência de problemas que o país enfrenta para a efetiva qualidade desse serviço. Nesse cenário, evidencia-se na sociedade brasileira as imensas filas de espera para tratamento e a carência de profissionais da área. Diante disso, convém dissertar acerca desse problema.
Em primeiro caso, é imprescindível que se mencione a lentidão existente nos atendimentos. Há de se considerar que o Sistema Único de Saúde (SUS) possui atualmente uma demanda maior do que é capaz de suportar. Prova disso, se comprova em um estudo recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísca (IBGE) no qual apontou que até o ano de 2018, mais de 30 mil pacientes aguardavam nas filas do SUS. Isso se deve à carência, inúmeras vezes, de medicamentos, aparelhos, estruturas físicas e recursos financeiros.Tal realidade torna-se preocupante, visto que muitos desses pacientes morrem nessa espera.
Outrossim, é mister ressaltar a ausência de médicos para suprir a necessidade populacional. É importante ponderar que o país não forma profissionais o suficiente, fator resultante do curso de medicina ainda ser elitizado, com altas mensalidades. Ademais, aliado a isso, também pode-se analisar a pequena parcela das graduações nas Universidades Públicas e Estaduais do país destinadas a esse curso. Nessa perspectiva, o governo tende a optar, por vezes, a programas que contem com a participação de profissionais estrangeiros, como o Mais Médicos (2013-2019), em que vários médicos cubanos tiveram a possibilidade de atuar no país.
Diante da problemática abordada, urge portanto, que o Governo Federal - detentor de poder máximo - aumente os recursos destinados ao SUS, a fim de que se obtenha uma redução nas filas de espera por tratamento. Esses recursos serão fiscalizados por profissionais do aparelho estatal e poderão ser utilizados para compras de equipamentos e contratação de profissionais por meio de parcerias às Universidades Federais e Estaduais. Ademais, o Estado deve investir no aumento de graduações de medicina nas Universidades Públicas a fim de que aumente a quantidade de profissionais no mercado e essa profissão deixe de ser elitizada. Dessa forma, o governo poderia ainda criar o Mais Médicos 2.0, o qual contaria com a partipação de médicos brasileiros. Para que isso ocorra, os profissionais passarão por um processo seletivo, uma espécie de Revalida, assim, os que atingirem a pontuação mínima poderão atuar.