Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 28/10/2019
Em reportagem divulgada pela revista “Veja”, um ranking divulgado pela empresa americana “Bloomberg” aponta o Brasil como o último lugar em eficiência dos serviços da saúde em um grupo de cinquenta países, destacando dados negativos como expectativa de vida e custo médio dos serviços. A partir disso, emergem discussões acerca do cenário ineficiente do sistema de saúde brasileiro e seus impactos a curto e médio prazo à população que não vê cumprido seu direito essencial, qual seja à vida e à saúde. Nesse sentido, torna-se vital adotar uma postura de apoio à reestruturação do sistema de saúde pública no país, tendo em mente tanto o impacto humano, quanto o benefício social envolvido.
No que concerne ao primeiro ponto, cabe destacar os impactos negativos à dimensão humana e filosófica que o atual estado do sistema de saúde do país promove. Para elucidar essa questão, o filósofo Jeremy Bentham defende que o bem supremo da humanidade é o de garantir o máximo de felicidade ao maior número de pessoas. Posto isso, observa-se que no Brasil, ocorre o contrário, de modo que a situação caótica do sistema de saúde impede a obtenção da felicidade, legando a população a situações insalubres e infortunas que causam a dessensibilização e a desumanização do tratamento. Isso é compreendido ao se observar a matéria do jornal “UOL notícias” que indica descaso com a saúde pública, ao evidenciar falta de remédios, médicos e estrutura em hospitais brasileiros.
Já em relação ao segundo ponto, é relevante salientar que a maneira como vem sido enfrentada a crise na saúde pública revela um despreparo e acarreta em perdas sociais preocupantes. Acerca disso, o humanista Thomas Morus idealizou, em “A Utopia” uma sociedade perfeita na qual, segundo o autor, os hospitais e sua disposição otimizavam a cura dos pacientes, de forma a evitar o acúmulo e atravancamento deles. Mediante esse tópico, observa-se que uma série de fatores como a distância entre médicos e pacientes, o abandono de comunidades rurais e indígenas e má distribuição de hospitais públicos, resultam, no Brasil, em uma série de problemáticas já superadas na quimera do autor e impede que no país haja um tratamento digno e eficiente a enfermos e necessitados de suporte.
Defronte ao apresentado, cabe uma reflexão acerca de medidas capazes de superar a crise no sistema de saúde pública nacional. A respeito disso, o Ministério da Saúde, por ser o órgão responsável por coordenar ações a nível nacional que zelem pela bem-estar das comunidades, deve desenvolver um pacto nacional em prol da vida e da saúde pública. Isso pode ser feito por meio de parcerias com estados e municípios, redistribuição dos postos de saúde e dos hospitais e programas de interiorização do atendimento para acolher grupos distantes. Tudo isso com o objetivo de democratizar o acesso à saúde, conferir eficiência e salvaguardar a população de danos causados por uma gestão ineficiente.