Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 02/11/2019

A coletânea de “As crônicas de gelo e fogo” retrata uma guerra civil dinástica entre várias famílias. Na série, Cidadela é a sede da ordem dos meistres, estudiosos responsáveis pelas questões médicas e científicas do continente Westeros. Embora permita o acesso gratuito a todos os cidadãos, problemas como a superlotação, falta de estrutura física e escassez de recursos médicos impedem o cumprimento dos deveres estabelecidos pelo governo. Fora da ficção, o descaso com a saúde pública no Brasil permite atestar que a concepção da obra descreve uma realidade vigente, seja falta de investimento governamental, seja pela má gestão financeira.

Em primeiro lugar, observa-se a importância de analisar o problema sob um viés estrutural. A falta de infraestrutura atravanca o êxito do Sistema Único de Saúde (SUS). Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) revelam que a cada 100 hospitais, 64 estão sempre superlotados. Nesse sentido, a má distribuição de equipamentos e medicamentos, a escassez de leitos, a demora no atendimento médico se constituem como fatores que explicitam a ineficiência dos hospitais federais e das Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Percebe-se, portanto, que os recursos não atendem ao dever do SUS de atender todos os brasileiros de forma universal.       Outrossim, é notório que a má gestão financeira e a corrupção estão diretamente relacionadas às falhas do sistema de saúde pública. Segundo pesquisas realizadas pela Fundação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), 2,3% do PIB nacional são perdidos anualmente devido à corrupção. Infere-se, portanto, que o extravio de fundos impossibilita a expansão dos recursos mais procurados pela população como, por exemplo, as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Por conseguinte, o descumprimento da medida não só aumenta a sobrecarga dos hospitais, mas também inviabiliza o atendimento íntegro dos brasileiros.

Portanto, torna-se imprescindível a adoção de políticas mediadoras a fim de contornar essa realidade. Na busca pelo cumprimento da Carta Magna, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com as Secretarias Municipais de Saúde, realize um curso de capacitação profissional dos profissionais a fim de buscar soluções para a melhora dos serviços públicos prestados aos brasileiros. A medida deverá contemplar, ainda, a averiguação, por parte do Governo Federal, da aplicação do capital direcionado à saúde a fim de evitar possíveis desvios. Ademais, cabe à mídia fomentar o interesse da população por meio campanhas de e propagandas que realcem a importância da participação popular na construção de um sistema universal, gratuito e de qualidade. Dessa, a realidade se distanciará cada vez mais da ficção supracitada.