Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 01/05/2020

Na obra “sociedade individualizada” do sociólogo Zygmunt Bauman, é apresentado uma sociedade que se comporta e toma medidas de acordo com seus medos, desconsiderando até mesmo a lei e a saúde pública. No Brasil atual, esse cenário se reverbera, pois mesmo com a consolidação de leis acerca da saúde, menos verba vem sendo direcionado a essa área, implicando não somente na desordem, mas também, na desvalorização da vida. Nesse âmbito, é evidente o descaso do governo e a necessidade de reinvidicação do direito através do debate por parte do cidadão.

Primordialmente, é preciso entender que desde a consolidação da constituição federal em 1988, a saúde pública se tornou direito a todos e de obrigação do Estado. No entanto, segundo o G1, apenas 2,9 % do pib foi investido na saúde, o que deveria ter sido 10%, sendo inegável o descaso com a saúde coletiva. Outrossim, segundo o filósofo e sociólogo Emile Durkheim, o meio social é como um corpo biológico, dessa forma, para o combate de uma crise na saúde pública é preciso que as partes interajam de forma consciente, onde através do debate o indivíduo tome consciência do seu papel, dever e direito, para que o corpo social consiga controlar essa problemática.

Sob outro prisma, é importante analisar que a corrupção e a má gestão tem contribuição na precariedade do sistema de saúde, refletindo diretamente na falta de EPIs - equipamentos de proteção individual -, no atendimento e na infraestrutura, ferindo assim o artigo 196 da constituição federal, que garante atendimento e bem estar no que tange a saúde pública. Tudo isso somado a uma pandemia, como o COVID-19, faz com que a população perca a fé no sistema público, pois com a super lotação e má organização faz com que a saúde não chegue para todos. Sobretudo em bairros periféricos, onde a população está mais concentrada, sendo mais propensa a contaminação de doenças.

Diante do exposto, é possível observar o direito do cidadão no que tange a saúde. A má gestão e o corte de verba por parte do governo é inadmissível, sobretudo em tempos de epidemia. Nesse sentido, é necessário um trabalho em conjunto com o meio social, a população deve trabalhar com a mídia, e o ministério da saúde com o ministério da justiça. A população em trabalho com a mídia deve desenvolver o debate e o conhecimento sobre seus direitos para toda a parcela da população, o ministério da justiça deve aplicar penas mais severas para casos de má gestão sobre os administradores de hospitais e upas, e o ministério da saúde otimizando e distribuindo seus recursos. Para que assim, obras como “sociedade individualizada” sejam apenas cenários fictícios e não se reverberem no Brasil hodierno.