Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 30/04/2020

No ano de 1988, através das leis 8080 e 8142, foi criado no Brasil o Sistema Único de Saúde (SUS). Essa constituição diz respeito ao dever do Estado de promover o acesso à saúde de qualidade e gratuita a todos que necessitarem. Entretanto, 32 anos depois, nota-se que a saúde pública no Brasil vem sofrendo diversos cortes nas verbas destinadas a hospitais e unidades básicas de saúde (UBS). Dessa forma, é importante a exigência de mudanças dessa realidade por parte dos cidadãos.

A princípio, vale salientar que a instabilidade política no Brasil colabora para o desenvolvimento da crise econômica que afeta a saúde pública. Uma das primeiras medidas tomadas pelos governantes é diminuir os gastos no setor da saúde, mesmo que o índice de usuários do SUS esteja crescendo devido ao aumento no número de desemprego no país e, consequentemente, a perda de seus planos de saúde. Segundo a ONG Politize, a saúde no Brasil se divide em pública (75% da população depende exclusivamente do SUS) e suplementar. Ressalta-se ainda a diferença de investimento pelo SUS que é em média cem bilhões por ano, enquanto a saúde suplementar investe 90,5 bilhões. Desse modo, observa-se que o gasto por paciente é 3 vezes maior na saúde suplementar do que na pública, o que é lamentável perante a uma sociedade que a maioria depende do SUS.

Além disso, é importante destacar que os estados e municípios possuem grandes responsabilidades em relação aos atendimentos em seu território, porém não recebem recursos suficientes para isso. O município é responsável pela atenção básica, que pode resolver cerca de 85% dos problemas de saúde, porém as deficiências nesse nível podem comprometer em grande medida a qualidade da saúde da população. De acordo com site da UOL, os principais problemas enfrentados pelos brasileiros que utilizam o SUS são a falta de médicos, a longa espera para marcar consulta, a falta de leitos e a falta de recursos para a saúde. Dessa maneira, o resultado é um atendimento fragilizado e sem qualidade, pois faltam os equipamentos necessários, como materiais descartáveis e os aparelhos para realização de exames.

É notável, portanto, que a saúde pública do Brasil necessita de uma reivindicação da população para uma melhoria no SUS. Logo, o Governo Federal não deve diminuir o gasto no setor da saúde pública, e sim de setores não-essenciais à sociedade, para que todas as pessoas consigam ter um acesso à saúde de qualidade. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de requerimento ao Presidente da República, aumentar a cobertura da atenção primária, para maior investimento nas UBS, aumentando seu número de equipes (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários), a fim de diminuir filas de espera para marcar consulta, de exames e de hospitais.