Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 02/05/2020

A sirene da ambulância anuncia mais um dia de desafios para a equipe médica de um hospital público do Rio de Janeiro entre um paciente e outro, os médicos tentam superar os obstáculos constantes de um ambiente caótico em uma emergência do subúrbio carioca onde tudo falta. Essas cenas foram relatadas na série “Sob Pressão”, mas também fazem parte do no cotidiano de diversos profissionais da saúde e de doentes, uma vez que a ausência de estrutura física, medicamentos e de trabalhadores, comprometem a cura. Nesse sentido, é necessário analisar como a falta de verba governamental compromete o acesso a atenção primária e também a tratamentos mais complexos.

Em primeiro lugar, a Constituição Federal de 1988 assegura saúde gratuita a todos, mas o congelamento de gastos dificulta o atendimento nas clínicas da família. Isso ocorre, pois em 2016 o ex-presidente Michael Temer bloqueou novos investimentos na saúde, em consequência disso, houve uma redução no número de unidades, comprometendo, então, a recuperação dos mais vulneráveis. Dessa forma, como a atenção primária busca a proteção e a prevenção de agravos o ressurgimento de doenças erradicadas como sarampo e poliomielite é um dos efeitos dessa nova política, já que em muitas cidades as campanhas de vacinação infantil foram reduzidas. Logo, os doentes marginalizados têm sua qualidade de vida prejudicada, pois dependem unicamente desses postos.

Em segunda análise, o desvio de dinheiro público faz com que serviços mais complexos sejam negligenciados. Em 2013, centenas de jovens foram às ruas lutar por seus direitos civis e cobrar das autoridades melhorias sociais e o fim da corrupção. Neste sentido, a saúde pública não é vista como prioridade para muitos governantes, já que ao longo da trajetória ela não recebeu aplicações suficientes para ampliar seu acesso e qualidade, nem auditorias para combater a corrupção como caracterizou Hans Jonas, em seu livro “O Princípio da Responsabilidade,” a permanência das gerações futuras dependem das escolhas atuais. Por conseguinte, as pessoas ficam suscetíveis à fatalidade, a qual vem acompanhada de tristeza, morte e luto.

Portanto, a corrupção pública compromete a vida de milhares de cidadãos. Desse modo, o Ministério da Saúde não pode, mesmo em tempos de crise, diminuir a verba repassada aos hospitais, pois trata-se de um setor importante para toda a população; a solução, seria, porém, cortar investimentos de setores não-essenciais à sociedade. Além disso, é papel do judiciário conceder penas mais rígidas aos responsáveis por desvio de verbas e exigir transparência das gestões, a fim de não permitir a ocorrência de uma má administração do dinheiro recebido do Governo Federal.Com essas medidas, será possível melhorar o cenário retratado na série “Sob Pressão”.