Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 16/05/2020
A série brasileira ‘‘Sob pressão’’, do autor Jorge Fortunato, evidencia o drama dos médicos em garantir saúde pública de qualidade à população sem os meios básicos para que isso efetivamente ocorra. Fora da ficção, essa é a realidade observada diariamente no sistema público de saúde do Brasil. A falta de infraestrutura, medicamentos, tecnologia e suporte corroboram na decadência desse sistema. Nesse contexto, a mudança desse cenário é uma necessidade e não um fato opcional.
É imperioso analisar, inicialmente, que embora a Constituição Federal de 1988 garanta o acesso à saúde a todos os cidadãos, na prática esses direitos não são efetivados, tornando-se um óbice que atinge não só um indivíduo, mas todo o tecido social. Ademais, pesquisas do Tesouro Nacional revelam que o Brasil só investe 3,8% do PIB em saúde pública, dados como esse esclarecem a falta de recursos e infraestrutura nos hospitais, sendo que o Governo brasileiro caracteriza-se por ser uma ‘‘Instituição zumbi’’, conceito criado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, no qual apesar da existência do órgão público, ele não cumpre devidamente a sua função. Sendo assim, é inadmissível a inexistência de políticas públicas que garantam melhorias na saúde tão defasada do Brasil, a fim de atenuar esse panorama de grande impasse social.
É imprescindível destacar, ainda, que os versos da música ‘‘sem saúde’’ do cantor Gabriel, o pensador-emergência, eu tô passando mal, vou morrer aqui na porta do hospital-ratificam a urgência de mudanças na saúde pública do Brasil. Ora, isso se deve à escassez de médicos qualificados, além da longa espera por consultas, exames e atendimentos, em decorrência da superlotação dos hospitais. Além disso, de acordo com a OMS há aproximadamente 17 médicos para cada 10 mil habitantes no Brasil, enquanto que na Europa, com a mesma proporção de habitantes, há 33 médicos. Dessa forma, é notório a relevância do progresso do Brasil no quesito saúde .
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de mitigar a problemática referente a saúde pública no Brasil. Nesse viés, é mister que a OMS em consonância com o Ministério da saúde do Brasil, sejam mais ativos às demandas exigidas na saúde através do envio de verbas para o investimento em tecnologia, medicamentos e infraestrutura, com o objetivo dos atendimentos serem mais qualificados e humanizados. Outrossim, o governo de cada Estado deve assegurar uma ampliação da equipe médica, por meio da oferta de mais concursos para os profissionais atuarem a medicina em hospitais públicos, com o fito de minimizar a superlotação e, em consequência, a demora nos atendimentos e exames. Desse modo, cenas como as evidenciadas na série ‘‘Sob pressão’’ serão vistas apenas na ficção e deixarão de ser realidade no Brasil.