Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 18/05/2020

Investimentos necessários

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a questão da saúde pública no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela ineficiência deste sistema de atender prestativamente a população em diversos territórios onde a massa demográfica é muito espessa para os enxutos recursos, seja pelo descaso dos políticos responsáveis pelo aumento de investimentos desta área com tal situação, considerando-se a ciência deles do quadro precário apresentado em inúmeros relatórios.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a imprestabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) rompe essa harmonia, haja vista que oferece um serviço insuficiente e incapaz de superar a demanda por recursos, de forma que culmine no bem-estar de todos os cidadãos que têm o direito à saúde. Nesse caso, ilustra-se a incapacidade de aplicar a Constituição à realidade brasileira.

Outrossim, destaca-se a negligência do governo como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que os movimentos sociais têm o justo objetivo de tornar determinada pauta um fato social, ao influenciar, mesmo que indiretamente, um certo número de pessoas a defenderem um ideal e se unirem em prol da causa. Tal constatação reflete justamente a deficiência do  projeto de melhoria do SUS; a ausência de reivindicações necessárias para a exigência de maiores investimentos à saúde.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Saúde deve investir nas cidades com a saúde pública mais precária, promovendo a a igualdade de condições de todos no tratamento de doenças, lesões ou semelhantes. A população deve clamar por melhorias no sistema público de saúde, de forma que se torne uma pauta de “fato social”, conceituado por Émile Durkheim, e por fim, resulte na iniciativa política de maiores investimentos de verbas públicas que objetivam a justiça, como defendeu Aristóteles. Desse modo, será possível auferir um Brasil mais igualitário e justo para todos.