Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 07/06/2020

" Emergência! Eu tô passando mal. Vô morrer na porta do hospital’’. A música ‘‘Sem saúde’’, de Gabriel O Pensador, retrata a calamidade da saúde pública vivenciada por nós, brasileiros. Em suma, o país, mesmo após séculos de história, ainda enfrenta sérios problemas de saúde, como hospitais lotados e ausência de profissionais da área em grande parte de seu território e nos serviços públicos, consequências de uma gestão inapta e da escassez no aporte financeiro para manter o sistema.

Em primeira análise, a maioria da população do Brasil depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde(SUS). Contudo, segundo o Dr. Drauzio Varella, o investimento nesse setor representa menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, sendo a limitação dos gastos públicos por 20 anos, defendida pela Emenda Constitucional 95/2016, uma das causa desse baixíssimo percentual. Tal fato, aliado à gestão incompetente do serviço que geralmente não conta com pessoal comprometido, habilitado e qualificado na área, explica a superlotação nas unidades de média e alta complexidade, uma vez que há maior aplicação de tais recursos nesses setores em detrimento da atenção básica. Assim, o SUS fica desestruturado e as ações de promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento e reabilitação propostas por ele não ocorrem efetivamente.

Ademais, conforme o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Brasil tem aproximadamente meio milhão de médicos ativos, quantidade suficiente para atender a demanda nacional. Todavia, permanece a desigualdade na distribuição de tais profissionais, visto que eles se concentram nos Estados e regiões mais desenvolvidas e na saúde suplementar devido à oferta de melhores condições trabalhistas e salariais desses lugares, justificando, assim, a longa demora na marcação de procedimentos como exames e consultas na rede pública da maioria das cidades do país. Portanto, é mister organizar o sistema público de saúde investindo em sua estrutura física e humana.

Enfim, são inúmeros os desafios do SUS. Dessarte, cabe aos municípios fortalecer a atenção primária através de palestras de educação em saúde na comunidade, visando à prevenção de doenças e do agravo daquelas já existentes entre a população local; compete aos Estados investir na valorização profissional por meio de salários justos e condições adequadas de trabalho, com o intuito de promover o bem-estar físico, psíquico e social de todos que estão inseridos no sistema. Dessa forma, conseguiremos vencer tais obstáculos e vivenciaremos, de fato, a universalidade, a equidade e a integralidade, princípios fundamentais para a promoção da dignidade ao cidadão brasileiro