Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 09/06/2020
Monteiro Lobato, em sua obra Urupês, por meio do personagem Jeca Tatu estabelece uma crítica ao sistema de saúde brasileiro e a negligência estatal com essa área. Tal fato mostra-se na contradição do que pressupõe a Constituição brasileira, a qual assegura a saúde como direito de todos e atribui ao Estado o dever de garantir o pleno exercício e acesso universal à esse serviço. No entanto, muitos brasileiros se encontram nas condições do caboclo criado por Lobato, enfrentando péssimas condições de saúde e sem auxílio. Deve-se, então, discutir as mazelas que desafiam a qualidade da saúde pública no Brasil.
Em primeiro lugar, o principal problema que contribui para a defasagem da saúde pública em relação à privada é a falta de investimentos. De acordo com o Conselho Nacional de Saúde, o orçamento para esse setor vem diminuindo desde a emenda constitucional 95, por conseguinte, em 2019 a perda de investimentos representa 20 bilhões de reais. Assim, a queda de recursos provocará uma situação crítica, visto que, segundo dados do IBGE, a população brasileira está em processo de crescimento e envelhecimento, o que exige mais investimentos, dado que as pessoas de maior idade demandam mais serviços de saúde. Além disso, outra problemática é a falta de infraestrutura, escassez de profissionais e a consequente má qualidade do sistema.
Desse modo, ocorre a superlotação, quadro comum nos ambientes de serviços públicos de saúde.Essa conjuntura acontece por conta da ausência de leitos, de equipamentos e baixo número de profissionais em determinadas unidades de pronto atendimento, o que causa uma sobrecarga nos funcionários disponíveis e atrasa o processo de triagem e atendimento. Ademais, a falta de médicos em certas unidades decorre da desigualdade de sua distribuição pelo país, segundo a Pesquisa Demográfica Médica 2018, enquanto a região Sudeste apresentava 2,81 médicos para cada mil habitantes, a região Norte contava com apenas 1,16. Ainda, as capitais concentram mais da metade da mão de obra médica, logo, torna-se difícil aqueles que moram no interior terem acesso à saúde.
Portanto, é evidente que a maior necessidade é que haja investimentos.Então, cabe ao Governo melhorar a infraestrutura dos hospitais, aumentando o número de leitos e equipamentos, assim como, trabalhar em um planejamento que disponibilize mais profissionais nas unidades e melhore a disposição pelo país por meio de medidas de incentivos para médicos irem ocupar a região Norte também.Dessa maneira, a qualidade da saúde pública poderá aumentar e enquanto espera-se essas atitudes das autoridades, os cidadãos podem exercer seus direitos e pressionar o Governo, por meio de manifestações, para cumprir seu dever.