Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 10/06/2020

Com o avanço industrial a sociedade sofreu inúmeras transformações, dentre elas, o sistema de saúde. O que outrora era garantido a uma pequena parcela da população, hoje é um direito fundamental humano. Mas, para que isso acontecesse houve muitas reivindicações ao longo dos anos e de maneira ainda tímida, o direito ao acesso universal, igualitário e gratuito à saúde já é uma realidade no Brasil. Contudo, apesar de ser uma estratégia fundamental para maior qualidade de vida da população, a saúde pública brasileira enfrenta muitos desafios e por isso levanta inúmeros questionamentos se de fato um sistema público de saúde é a melhor solução.

Em primeiro lugar, cabe destacar que o acesso gratuito à saúde atua como um bem comum, capaz de melhorar a qualidade de vida de uma sociedade, por meio de métodos de promoção, manutenção e recuperação. A parte preventiva atua como ciclo virtuoso, o que consequentemente reduz os problemas de crises sanitárias e as necessidades de internações, beneficiando todos os setores da população. Além disso, com os programas de manutenção e recuperação de forma gratuita as pessoas podem ter tratamento para doenças crônicas, a gestante pode ter uma gravidez com menos riscos, e a expectativa de vida se torna cada vez maior.

Entretanto, o sistema público de saúde enfrenta muitas dificuldades para que seja de fato universal e igualitário. Prova disto, é o subfinanciamento, o SUS, Sistema Único de Saúde, tem verba de 4,66% do PIB brasileiro para este setor, mas que ainda é insuficiente, pois cerca de 162 milhões de pessoas usam exclusivamente o SUS. Além disso, há os problemas de má gestão por parte dos municípios que acarretam problemas como falta de leitos, falta de insumos, falta de profissionais e consequentemente aumento das filas dos hospitais. Contudo, mesmo diante de todos os problemas a maior parte da população brasileira depende exclusivamente da saúde pública, o que reforça a ideia de que atenção a saúde deve estar fora do mercado.

Fica evidente, portanto, que um sistema de saúde gratuito é a porta de entrada para a garantia do maior direito fundamental humano. Para isso, em primeiro lugar é necessário que haja uma reformulação nas verbas destinadas à saúde para que todas as camadas sociais sejam alcançadas. Além disso, o governo federal deve fiscalizar a gestão dos municípios para que não haja desvios indevidos. O Ministério da Saúde, por sua vez deve capacitar os profissionais para oferecerem um atendimento eficiente. Por fim, as secretárias municipais de saúde devem elaborar estratégias de educação para a população a fim de que todos estejam cientes dos seus direitos e deveres. Só assim o sistema público de saúde garantirá de fato o acesso universal e igualitário.