Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 16/06/2020
Em seu livro, o jornalista Gilberto Dimeinstein classifica alguns indivíduos como cidadãos de papel, visto que eles detêm seus direitos apenas no papel constitucional. No Brasil, apesar de a saúde ser uma garantia básica e universal, observa-se sua problemática ineficácia no cenário público, haja vista a ausência de uma medicina social, bem como o processo necropolítico atual.
Sob primeira análise, cabe analisar a carência de políticas públicas preventivas. Nesse sentido, medicina social define-se como o pensamento que corrobora ações sanitaristas e de desinfectação das metrópoles a fim de precaver contra doenças. Sob esse prisma, nota-se, com a urbanização nacional acelerada, a incongruência da condição das cidades com o ideário desse tipo de medicina. Tal cenário a colaborar para a proliferação de doenças, bem como pelo aumento de gastos com os processos curativos que poderiam ser evitados.
Ademais, é necessário ressaltar a influência do estado na vida das pessoas. Nesse viés, segundo o filósofo Mbemb, o governo tem o poder de decidir sobre a morte e a vida dos habitantes por meio da implementação ou não de políticas públicas. Dessa maneira, o legado da urbanização descontrolada, evidenciados na ausência e o sucateamento do serviço essencial de saúde pública, implica a direta diminuição de expectativa e de qualidade de vida dos seus cidadãos, o que caracteriza a alarmante necropolítica moderna.
Diante disso, é imprescindível elucidar esse impasse. Portanto, com vistas a melhorar o sistema de saúde pública, o Estado deve aumentar a quantidade de investimentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), a exemplo de garantir 10% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro para que o serviço alcance todos os municípios dentro das fronteiras nacionais. Isso se dará por meio da contratação de profissionais da área, como economistas. Assim, espera-se que o cenário da cidadania de papel deixe de evidenciar-se no território tupiniquim.