Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 24/06/2020

Em 1904, a “Revolta da vacina”, ocorrida no Rio de Janeiro, foi uma rebelião contrária às medidas higienistas e sanitaristas defendidas pelo médico Oswaldo Cruz (estabelecendo o desmanche de cortiços e a vacinação obrigatória). Esse desencontro entre as medidas públicas e a população parecem não se restringir ao passado, uma vez que, apesar do Brasil apresentar um sistema de saúde público unificado; gratuito e universal, ele enfrenta barreiras, seja pela falta de estrutura, ou pela falta de organização. Dessa forma, é preciso mobilização dos profissionais da saúde e aumento do investimento nessa área.

Em primeira análise, é válido ressaltar que, ao longo da história brasileira, o país teve importantes conquistas. Nessa perspectiva, a “Revolução médico-sanitarista”, ocorrida em 1950 no Brasil, com intuito de mudanças fundamentais na área clínica, melhorou a infraestrutura hospitalar; aumentou o acesso ao saneamento básico; e promoveu a medicina preventiva. Sob essa ótica é possível identificar que, ao longo do tempo, obteve-se progresso nos métodos de prevenção de doenças; campanhas de precaução; e na assistência pública. Desse modo, o sistema de saúde teve uma evolução benéfica para a população.

Em segunda análise, entretanto, esse sistema governamental passa por alguns obstáculos. Na obra “O Cortiço”, do escritor naturalista Aluísio Azevedo, são retratadas as péssimas condições de vida dos brasileiros de classe baixa no início do século XX, que, comparados à “larvas se multiplicando em esterco”, careciam de condições higiênicas e sanitárias ideais. Sob essa concepção, assim como na obra, a população hodierna continua desamparada: carência de profissionais; pequena oferta de consultas médicas em regiões mais afastadas do meio urbano; superlotação em hospitais dos centros das cidades e falta de medicamentos básicos. Dessa forma, a infraestrutura e os recursos para a saúde pública não é compatível com a demanda.

Depreende-se, portanto, a importância das melhorias do sistema de saúde como um bem fundamental para a população. Dessa maneira, a fim de melhorar a estrutura e os recursos dos hospitais públicos, os sindicatos dos profissionais de saúde, como médicos; enfermeiras; fisioterapeutas; fonoaudiólogos; etc., devem reivindicar melhores condições de trabalho, por meio da realização de protestos pacíficos e de forma a não interrompa o atendimento à pacientes emergenciais. Ademais, o Estado deve garantir os investimentos nesses hospitais, por intermédio do aumento dos impostos sobre a renda daqueles que ganham mais de 20 salários mínimos. Dessa forma, prevenindo a insatisfação dos brasileiros, como ocorrido na “Revolta da vacina”.