Debate sobre a saúde pública no Brasil
Enviada em 02/07/2020
Pawel Kuzynski, ilustrador e desenhista polonês, mostra em suas obras um meio social injusto, falido e com valores distorcidos. De maneira análoga às intenções artísticas do polaco, a postura de muitos brasileiros frente a precariedade da saúde pública é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática da extrema deficiência no sistema público de saúde que persiste intrinsecamente ligado à realidade do Brasil, seja pelos constantes cortes nas verbas dos hospitais, seja pela falta de acesso igualitário entre os indivíduos de uma sociedade.
De início, tem-se a noção de que a Constituição Federal assegura a todos os cidadãos direito de acesso à uma saúde pública de qualidade. Porém, visto que o governo vem apresentando constantes cortes nos orçamentos hospitalares, percebe-se a não seguridade dos direitos necessários para a manutenção da vida. Nesse sentido, ratifica-se a tese elaborada pelo jornalista brasileiro Gilbert Dimenstein acerca da Cidadania de Papel, isto é, embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistente, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico. Logo, é fundamental que o poder público desenvolva medidas, como aprimorar sua administração financeira e priorizar os investimentos na área da saúde, com o intuito de que os anseios do artigo 5º tenham realmente vigor.
Por conseguinte, a organização política coadjuva à manutenção do desafio, haja vista que há um acesso assustadoramente desigual em relação a saúde. Sob tal ótica, de acordo com Immanuel Kant em sua teoria do Imperativo Categórico, os indivíduos deveriam ser tratados, não como coisas que possuem valor, mas como pessoas que têm dignidade. Nesse contexto, a sociedade brasileira, tacitamente, tem ido de encontro ao postulado filosófico, uma vez que a Administração Federativa não cumpre com sua função de garantir igualdade entre todos, revelando, majoritariamente, os reflexos de uma sociedade com impasses ignorantes ao Estado.
O panorama geral que contribui para a precária e desigual saúde pública, portanto, reflete a necessidade de implementação de medidas. Em suma, faz-se necessário a atuação do Governo Federal em parceria com o ministério da cidadania, na realização de uma melhor fiscalização de leis, no intuito de garantir que elas sejam realmente executadas. Outra iniciativa plausível, é investir em atenção primária -como programas de saúde a família, mutirões e programas de vacinação em casa-, promovida pelo ministério da saúde, a fim de aliviar os gastos com internações decorrentes ao agravamento de doenças que poderiam ser facilmente evitadas, garantindo assim uma maior igualdade entre os cidadãos. Dessa forma, poder-se-á criar um ideal de nação de que Pawel Kuzynski pudesse se orgulhar.